Uma pedalada até Trajano de Morais (que foi só até Friburgo :P)

Estava tudo planejadinho: primeira parada em Magé, de lá até Cachoeiras de Macacu, depois até Friburgo, para depois seguir direto até Trajano, ou, dependendo das condições e do nosso fôlego fazendo uma parada antes em Bom Jardim. A serra de Friburgo me preocupava, (inocentemente) me preocupava mais com o acostamento e com penhascos do que com a subida em si. O fluxo de carros era muito baixo (pelo menos no dia 26 de dezembro de 2014) e a falta de acostamento em parte dela nem fazia tanta diferença, além de não ter nenhum trecho “beiradinha de penhasco”, mal sabia eu que o grande problema iria ser a subida mesmo, o esforço. Mas voltemos por enquanto ao início da viagem. Pedalamos 30km em torno de 2h, algo entre 17h e 19h da noite do dia 24.

Buraqueira 493

Buraqueira 493

Foi um pedaço bem tranquilo, a maior parte dele é feito na 116 (Rio-Teresópolis), que é uma rodovia que além de ter um acostamento generoso, o asfalto é ótimo. O problema é o trecho da 493 (Magé-Manilha) que temos que pegar até chegar no centro de Magé, como já falado em outras postagens, é um trecho muito ruim, acostamento esburacado e/ou com muita areia. Em alguns trechos não tem como fugir, tem que pedalar na pista. Eu particularmente me sinto bem desconfortável pela quantidade de caminhões que transitam na via. Alguns respeitam o 1,5m de distância, mas nem todos. No outro dia, foi só felicidade.

RJ 122 :)

RJ 122 🙂

Seguimos por dentro de Magé mesmo, passando por Parada Modelo até chegar na RJ-122. Trajeto tranquilo, pouquíssimos carros, bastante sombra. Tirando a quantidade imensa de haras que existe nessa região, a paisagem é bem agradável. Vários ciclistas no caminho. Lá pelas tantas nos deparamos com um lagarto de mais ou menos um metro atravessando a rodovia meio assustado quando viu a gente. Chegamos, meio incrédulos com ter sido tudo de boa, antes de meio dia em Cachoeiras de Macacu. O único ruim foi que como chegamos bem antes do esperado foi meio entediante ficar o dia todo em pleno Natal (onde nada abre) em um lugar que não conhecíamos e nem dava para “desbravar” a cidade porque queríamos nos poupar para a serra no dia seguinte. E no dia seguinte… Normalmente toda subida é compensada por uma descida depois, mas em serra isso nao acontece nunca. Você não pode nem mentalizar, “Faz esse esforço! Você consegue! Logo depois tem uma descidinha…”, porque senão é frustração na certa. Já chegando em Friburgo você pega um bom pedaço de descida, mas se você for insegurx como eu e tiver medo da bicicleta passar de 35km/h não dá nem pra aproveitar as descidas muito grandes. Resumo do que foi subir até Friburgo: “empurração” de bicicleta. Fica a dica: pra serras como essa é bom uns treinos antes. Na cidade tivemos o merecido descanso em um albergue. Como não conseguimos contato com a pessoa que encontraríamos em Trajano e que seria uma possível carona para a volta, resolvemos voltar no dia seguinte. E como me assustava a ideia de descer a serra com a bike, compramos passagem até Manilha. Outra dica: não pedalem a Manilha-Magé em pleno verão, às 15h. Nenhuma sombra. Muito calor subindo do asfalto.
Segue abaixo os links da pesquisa que fizemos para esse pedal:
http://www.pedal.com.br/forum/subindo-a-serra-de-friburgo-rj_topic50707.html
http://bicicloturista.blogspot.com.br/2013/11/niteroi-x-nova-friburgo-de-road-na.html
https://m.youtube.com/watch?v=
http://www.youtube.com/watch?v=oB0h61-EKy8

Contemplação

Contemplação

Carangueijo na serra

Carangueijo na serra

Almoço: sem o álcool para a espiriteira, Marcus mostrou suas habilidades

Almoço: sem o álcool para a espiriteira, Marcus mostrou suas habilidades

Empurrar foi a nossa sina

Empurrar foi a nossa sina

Última parada: visual bonito pra compensar

Última parada: visual bonito pra compensar

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Chegando em Friburgo

 

 

 

Uma pedalada esperada até Aldeia Velha

Há muito tempo @s Cicloninh@s pensavam em fazer uma viagem de bicicleta junt@s, mas sempre tinha algum problema, muitas vezes possivelmente falta de organização e preguiça, que nos impedia. Nesse final de ano, com o término da graduação da Cicloninha, vimos a oportunidade aparecer novamente, e decidimos não deixar ela passar. Queríamos pedalar, mas não sabíamos para onde, e Aldeia Velha apareceu como ótimo local por vários fatores, entre eles: ser relativamente longe, proporcionando um bom pedal; o Honesto já ter ido duas vezes pra lá de bike e ter relatado uma delas no seu blog; ser um local calmo, tranquilo e longe do “circuitão de férias”; termos achado um local barato e legal para ficar.

O plano era ir daqui de casa a casa do padrinho do Cicloninho, em Magé (aproximadamente uns 30km), para economizar essa uma hora e meia de pedalada, render mais o tempo de pedalando sem sol, coisas assim. Só que no dia em que planejamos sair, estava chovendo muito, fomos então fazendo o “confere” da checklist; comprando as últimas coisas e providenciando os arremates necessários. No dia seguinte o tempo parecia melhor, mas logo começou a chover e o desânimo já começava a bater: “Será que não vamos conseguir fazer essa viagem?” O plano era: “Se não estiver chovendo às 17h, vamos até Magé. Chegamos lá por volta de 19h e dormimos por volta das 21h. Acordamos 2h para sair às 3h. Paramos em Rio Bonito (metade do caminho) às 9h, descansamos, conhecemos a cidade e voltamos a pedalar às 16h para conseguir chegar em Aldeia Velha às 22h.” Primeiro contratempo: estava chovendo às 17h. Pensa. Para. Reflete. Ajeita mais uma coisa. Preguiça. Olha no Climatempo. Uma ideia: “Está com cara que a chuva vai parar. Podemos sair às 19h, para chegar em Magé às 21h, ir dormir e continuar com o plano de viagem.” E nessa de esperar a chuva passar, fomos arrumando as bikes devagar.

O céu estava nublado, carregado de nuvens na hora que saímos em direção à Magé. Logo no primeiro quilômetro, Cicloninho reclamava dos alforges batendo no calcanhar e os meus entraram um pouco na roda. Com uma rápida parada conseguimos resolver estes problemas. A pedalada foi muito tranquila na maior parte do trajeto. Era noite, o ar estava fresco e a noite agradável. Tivemos que parar algumas vezes para colocar a corrente na coroa da minha bicicleta (mais um capítulo da novela do passador dianteiro) e uma ou duas vezes em subidas que, como diria o Cicloninho, a Cicloninha arregou. A parte mais tensa foi pegar um trecho da BR 493 que é escuro e esburacado (na verdade, essa BR tem só um trecho iluminado, em frente ao Corpo de Bombeiros). Pegamos chuva nos últimos 4 ou 5 quilômetros. Chegamos, tomamos banho, comemos nosso miojo e fomos dormir. Mas às 3h da manhã quando o relógio despertou, outro contratempo (na verdade era o mesmo): estava caindo um toró! Decidimos voltar à dormir e ver o que faríamos pela manhã. Às 7h da manhã ainda chovia muito. Lá pelas 9 e pouca a chuva estiou. Pensa. Para. Reflete. “Quer voltar?”. Olha no climatempo. “Vamos?”

Chuva na maior parte do caminho no primeiro dia

Chuva na maior parte do caminho no primeiro dia

Saímos às 10:55. Depois de 5 minutos de pedalada, já chovia bastante, mas continuamos. Ainda no trecho Magé-Manilha, indo em direção à BR 101, o pneu traseiro da Cicloninha furou. Não esperávamos que acontecesse tão rápido, mas pensamos: “Acontece.” Depois, já na BR 101, mais precisamente no Viaduto de Duques, foi a vez do pneu traseiro do Cicloninho furar, ou melhor, rasgar (É impressionante a quantidade de coisas no acostamento prontas para furar os pneus das bicicletas). Aproveitamos para fazer nosso almoço e nisso encontramos um “trecheiro”. Estava vindo de São Paulo, sem freio (o_o), talvez fosse para Macaé. Aproveitamos a parada e torcemos um pouco das roupas encharcadas, fizemos um arroz com lentilha (usando uma espiriteira a álcool) somente com água e sal e ficou, surpreendentemente, gostoso. Cicloninho remendou a camâra de ar e depois seguimos viagem.

Nosso primeiro almoço na estrada: arroz com lentilha

Nosso primeiro almoço na estrada: arroz com lentilha

Pneu rasgado

Pneu rasgado

Em Tanguá, a Cicloninha estava bem cansada e já começávamos a pensar em algum lugar para dormir. Perguntamos em um posto de gasolina quanto faltava para Rio Bonito –  Ao ouvir 12 km trocamos olhares e a Cicloninha disse que dava pra chegar. O pneu traseiro da bicicleta estava um pouco baixo. “Será que furou novamente!?!?” Enchemos o pneu e fomos. Já bem perto da entrada de Rio Bonito o pneu arriou de vez. Solução: empurrar a bicicleta. Passando pela frente da UPA 24h de Rio Bonito, um cara nos abordou super empolgado, falou que também andava de bicicleta, fez algumas perguntas e nos indicou um hotel “baratinho” no centro de Rio Bonito (entre aspas porque não achamos tão barato assim quando chegamos lá). Uma outra opção era tentar ficar em uma igreja católica pois essas igrejas geralmente possuem um quarto e abrigam viajantes. Mas nos indicaram uma igreja que parecia não ser católica e que no momento acontecia alguma atividade. Resumindo: fomos para o hotel. Lá, aproveitamos para lavar umas peças de roupa na pia do banheiro. Estendemos um varal improvisado atravessando o quarto para que as roupas pudessem secar. A diária valia atá às 12h do dia seguinte, assim o plano era simples: Desceríamos para o café da manhã às 8h, por volta de 11h desceríamos novamente para começar arrumar as bicicletas e conseguir sair 12h. Mas quando fomos colocar a roda da bicicleta da Cicloninha no lugar (havíamos levado a roda para o quarto para fazer o remendo lá) vimos que o pneu da bicicleta do Cicloninho muito rasgado, não dava pra seguir daquele jeito. Mudança de planos: sair para procurar uma loja de bicicletas para comprar um pneu novo (“Será que vai ter pneu para speed?”) e câmaras de ar extras para as duas bicicletas. Cicloninho foi nessa missão e a Cicloninha ficou no hotel adiantando as coisas, e quando ela vai colocar os alforges na sua bicicleta se depara com mais uma surpresa desagradável, o pneu dianteiro estava bem vazio. Por via das dúvidas ela retirou a fita anti-furo caseira que havia feito, pois desconfiávamos que ela pudesse estar causando furos; o Cicloninho acha que foi uma coisa específica na feitura da fita que ocasionou isso, pois ele tem uma fita antifuro caseira em um bike, com um pneu carequinha, e não dá problemas.

Açaí em Rio Bonito

Açaí em Rio Bonito

Tudo resolvido. Fomos procurar alguma coisa para comer. Tomamos um açaí de 500 ml cada um, com muito amendoim e rosquinhas para acompanhar. Estávamos  apreensivos com a possibilidade de mais furações de pneu mas seguimos em direção à Aldeia Velha. Iríamos voltar para BR 101 por onde havíamos entrado em Rio Bonito, mas por indicação da moça do Açaí fomos em outra direção, na qual pegaríamos a BR 101 bem mais na frente. Teria sido uma boa opção, se esse caminho não fosse 90% feito de paralelepípedo; mas, ao menos, passamos da entrada da Via Lagos. Esse trecho da BR era muito mais tranquilo e bonito do que o que já havíamos percorrido – pouco volume de carrros, algumas cadeias de morros. Como problema pouco é bobagem, logo nos primeiros KM nessa volta à BR, o Cicloninho percebeu que o pneu novo estava com uma deformação, causando um “ovo” inconveniente no pneu, mas preferiu continuar assim do que voltar em Rio Bonito para tentar trocar o pneu, em um sábado onde as coisas já poderiam ter fechado. Depois de pouco mais de 2h pedalando, fizemos uma parada. Como estava muito quente, não tínhamos vontade de comer comida/fazer o almoço. Procuramos, mas como era de se esperar de uma lanchonete chamada “Queijão”, não encontramos algo vegan e/ou barato. Uma coisa que comprovamos nessa viagem foi que bicicletas atraem pessoas legais. Nessa parada nossas bicicletas nos permitiram conhecer o Eduardo e a Patrícia de Rio das Ostras, que andam de bike também e pilham em cicloturismo, estavam inclusive indo trabalhar na Copa América (que nós não fazemos idéia do que seja  XD) – dêem uma conferida no blog deles. Foi bom conversar com eles!

Eduardo: cicloturista de Rio das Ostras

Eduardo: cicloturista de Rio das Ostras

Apropriação de um coco.

Apropriação de um coco.

Umas pedaladas depois notamos que o pneu da bicicleta do Cicloninho estava meio vazio, e além disso, algum tempo depois a roda começou a bambear. “Era só o que faltava… o eixo quebrar.” Para. Tira alforge. Pensa. Mexe. Se apropria de um coco da fazenda que paramos em frente. Coloca alforge. Volta a pedalar. Mais a roda continuou bamba. Ainda faltavam uns 10 km mais ou menos até o quilômero 215 da BR 101, ponto onde fica a entrada para Aldeia velha. Depois de lá ainda seriam mais 8 km de estrada de chão até Aldeia Velha. Cicloninho estava MUITO irritado. Queria que a Cicloninha fosse na frente e ele “se virava”, mas ela não queria ir na frente. Tentou pedalar mais um pouco. “É, realmente não dá.” Tentou encher o pneu pra ver se dava pra pedalar mais e eis que… Cicloninho percebe que havia esquecido de apertar o pino da válvula (presta) da câmara de ar e por isso ela estava esvaziando, e, consequentemente, como era um pneu 700X20 vazio, dava essa impressão de eixo quebrado – pedalar com peças que você não está acostumad@ cria essas dificuldades. Problema resolvido: Só felicidade! Ainda estava claro quando chegamos na entrada para Aldeia velha, foi escurecendo no caminho. Quando chegamos no centro da cidade, fomos perguntar onde ficava a Fazenda Bom Retiro para umas pessoas que estavam na frente de um bar. Uma delas perguntou espantada: “Vocês vieram de bicicleta lá da entrada?” E eis que aumentamos seu espanto quando respondemos: “Estamos vindo de Caxias, no Rio de Janeiro.” Depois de mais ou menos um quilômetro chegamos na Reserva Bom Retiro.

Entrada de Aldeia Velha

Entrada de Aldeia Velha

Estamos preparando o relato da nossa estadia e da nossa volta. É que a viagem trouxe muitas ideias e empolgações, então estamos tendo que dividir nosso tempo com construções de forno solar, visitas a amigos etc.

– Cicloninh@s

Mais um mito que se vai…

Ontem, por ainda estar sentindo o mal-estar estomacal de que falei no último post, decidi vir para o trabalho de onibus; cheguei uma hora adiantado, e como vim dormindo o trajeto quase todo, só pude presumir que não havia engarrafamento. Hoje, mesmo ainda sentindo coisas estranhas na barriga, decidi vir de bike, e aí vi com meus próprios olhos, saindo de casa as 06:00, uma Washington Luís sem nenhuma retenção, fluxo constante e fluído – lógico, na bifurcação Av. Brasil/Linha Vermelha a coisa deu uma congestionada, mas nada comparado as outras vezes que fiz esse trajeto – culpa das férias escolares e dos feriados. A Avenida Brasil tinha alguns pontos de retenção e outros de pista livre, bem diferente dos outros dias também.
Ver as pistas livres e sem transito me fez pensar em ir de onibus – só que não. Hoje saí de casa 06:00 e cheguei as 07:07 no trabalho; ontem, saí de casa 05:30 e cheguei no trabalho as 07:00. Ou seja, ir de bike não é mais rápido que ir de onibus só no transito nosso de cada dia, o é também em dias de transito menos intenso.

– Cicloninho

Treino do Foreveraloninho e coisas pelo caminho

Ontem, véspera de natal (24/12/2012), tive mais uma desculpa para pedalar pela Avenida Brasil, mas desta vez no sentido contrário – Vila Valqueire (que, segundo a Bironca, fica a uma hora e meia do Rio de Janeiro – piadinha de família para dizer que é longe, #maseuri). Meu pai viria até a casa da minha tia para passar o natal, e eu precisava acertar uma coisa de trabalho com ele, além de querer ver minha irmã e meu irmão um pouquinho. Eu tive que fazer esse treino sozinho, pois a Cicloninha não quis ir… Como @s cariocas sabem, dia 24 estava um calor digno do Hell de Janeiro, o sol nos proporcionando quanta síntese de vitamina D fóssemos capazes de fazer, nenhuma nuvem no céu pra dar uma esperança; assim sendo, decidi esperar dar uma amenizada para sair, pois o sol está se pondo lá pras quase-oito. Fui me preparando aos poucos durante o dia, pois ainda tinha que resolver a coisa do pedal da minha bicicleta (tinha que trocar e o parafuso não saía nem a pau, soldou de ferrugem – ficaadica, sempre limpem a bike depois de uma chuva ou mesmo de uso constante, e coloquem uma gotinha de óleo em cada rosca que encontrarem), colocar o ciclocomputador no lugar (que deve estar com o cabo partido, pois ligou mas não marcou nada – é um saco contar com uma coisa e não tê-la), arrumar as coisas de trabalho que eu tinha que levar. Uma coisa estava me preocupando (e ainda está): desde a janta do dia anterior que eu não estava me sentindo bem, logo depois de jantar (nada anormal – lentilha, macarrão e proteína de soja) me senti empanzinado, e nem tinha comido muito; depois, quando fui beber água (sempre com um mínimo de uma hora após as refeições), senti uma dor no estômago, igual a quando bebemos água em jejum. Fiquei ontem sentindo essa sensação o dia todo, consegui comer muito pouco e toda vez que ia beber água sentia essa dor – o resultado foi uma má alimentação e pouca hidratação, nesse calor de nãotenhovontadedeviver. Mesmo com esse mal-estar decidi ir de bike, pois acho que ninguém deve poder nos dizer que não conseguimos fazer alguma coisa, principalmente nós mesm@s.

Saí de casa 19:23, pedalando um pouco mais devagar do que gostaria, por conta desse mal-estar mencionado. A Washington Luís estava tranquilíssima, o fluxo de carros estava mínimo, então segui sem problemas até a Av. Brasil. Ao entrar na Brasil, a mesma tranquilidade, as pessoas realmente ficam em suas casas para o natal. O sentido Zona Oeste da Av. Brasil, depois da Washington Luís, é um pouco pior, menos conservado, e isso sempre dificulta a pedalada, principalmente em uma speed, onde você sente qualquer pedrinha no chão – isso NÃO É exagero. Foi a primeira vez que fui de bike até a casa da minha tia sem entrar por Madureira, que era o caminho que sempre fiz, por ficar na cabeça que Vila Valqueire fica dentro de Madureira (afinal, sempre peguei o ônibus Petrópolis – Madureira para ir pra lá, então na minha cabeça de besta-espacial, ficou essa associação). Mas dessa vez fui pelo caminho que as pessoas fazem de carro, que é passar pela Brasil da entrada de Madureira e entrar mais à frente, acho que é a entrada para Deodoro, é ao lado do Corpo de Bombeiros – inclusive, aquele retorno em paralelepípedos complicou um pouco a minha vida.

Xópis fechado no natal

Isso é um absurdo contra o natal!

Reparando algumas coisas nesse trajeto acabei pensando, refletindo, e percebi que o verdadeiro espírito natalino está morrendo – a coisa de verdade, sem todas essas frescuras e mentiras que colocam em cima. Passando pela Washington Luís, fiquei impressionado ao ver um templo novo, grande, fechado – afinal, muitas pessoas chamam o dia 24 já de natal, então acho estranho um templo fechado logo nesse dia, onde as pessoas tem mais motivos do que no resto do ano para ir aos templos. Na Avenida Brasil, altura de Guadalupe, a mesma cena se repetiu, com um templo ainda maior – passei por um templo antes desse que também parecia fechado, mas esse era um pouco mais distante e não posso dizer com certeza. Como assim shopping centers fechados na véspera do natal?! Aonde essas pessoas estão com a cabeça?! E o direito das pessoas de viver o espírito natalino, de fazer suas compras de última hora, de sentir os prazeres e maravilhas que só o consumo puro e simples pode proporcionar? Não sou adivinho, mas tenho certeza que Papai Noel ficou muito #xatiado com essa situação – tsc, tsc, tsc…

Eu tinha pensado em ir e voltar na mesma noite, tanto pelas coisas que eu tenho que fazer (dou aula amanhã às 08:00 e ainda não terminei o planejamento, por exemplo) quanto pelo treino (que aí seriam os quase 39km de ida mais 39 de volta, totalizando uma pedalada de 78km, um treino bom), parar uma ou duas horas por lá e voltar. Mas o mal-estar persistente, as conversas com as pessoas e a Lívia e o Daniel (minha irmã de 7 anos e meu irmão de 3) acabaram me fazendo desistir – o Daniel com meu capacete estava hilário, e pela situação estar boa nem lembrei de tirar uma foto (“tentando apriosionar momentos eu esqueço de vivê-los”; isso é da Vivenciar, não é?). Passei a noite lá, e o sol de hoje não me deixou vir logo cedo – peguei no pedal 18:20. A volta foi bem tranquila também, mesmo que as pistas estivessem com mais movimentação. Como ainda estava com o mal-estar (tem gente dizendo que isso pode ser gastrite, preciso averiguar isso), embora incomodando menos do que na ida, pedalei num ritmo interessante (como o ciclo computador não estava funcionando não posso dizer a velocidade, mas eu estava pedalando a uma volta por segundo no “penúltimo pinhão”) mas sem pressa. O bom de pedalar sozinh@ é que você faz seu ritmo, decide seu trajeto, suas paradas; o ruim, principalmente para alguém vacinad@ com agulha de vitrola como eu, é que a cabeça fica funcionando e você não tem ninguém pra falar alguma coisa – e quando a gente está com algum problema na cabeça, tempo vago é tudo que esse problema quer pra dominar nossos pensamentos. Tirando um imbecil que colocou a cabeça pra fora e gritou “Malucoooo!!!” em uma agulha perto do Carrefour da Washington Luís, foi uma pedalada bem tranquila, mas queria falar de algumas situações do caminho, algumas que só pude viver por entender que de bicicleta, o caminho faz parte da viagem, não é simplesmente um empecilho como quando vamos de automóvel (e isso eu aprendi com o Honesto quando fomos para Rio das Ostras).

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Água fresca, mas de origem desconhecida

Umas das vezes em que estava voltando do trabalho, na ponte (acho que é sobre o rio Suruí) logo depois do Feirão das Malhas, vi um cara tomando banho com uma água aparentemente potável – digo isso pois a água daquele rio é podre, cheira a óleo, provavelmente consequência de muitas irresponsabilidades somadas e de uma refinaria de petróleo logo ali… Fiquei na cabeça que ou ali embaixo da ponte tinha uma fonte de água não-poluída-bizarramente ou o cara tinha levado a água até ali de balde, e eu queria dar uma conferida nisso. Quando passei ali com a Cicloninha, no nosso primeiro treino, decidi não parar; mas hoje eu parei e, confirmando minha hipótese, lá estava um cano jorrando água transparente (em contraste com a água cor de óleo queimado do rio) em abundância, junto com embalagens de sabonete, um vidro de perfume e uma barbeador usado (é, parece que o lugar é usado mesmo para tomar banho). Eu, que cresci tomando água da torneira, tratei de beber um pouco, pois ainda na Av. Brasil a água que eu tinha levado já estava quente, e a água que saia do cano não tinha nenhum gosto estranho; se eu morrer de algum verme bizarro, já sabem. Usei a água também pra jogar no corpo, pois ela estava bem fresca.

Mais na frente, um caminhão de bombeiros estava parado no acostamento, e logo vi que a parte de mato na beira da estrada, altura da Reduc, estava com um incêndio bem grande. Teve uma parte que eu passei por dentro da fumaça, e o dia escureceu! Eu sei que o tempo estava muito quente e seco, já tem uns dias que não chove e tudo o mais, mas não consigo tirar da cabeça que aquilo não foi causado só pelas condições climáticas. Só o fato de estar na área da Reduc já mostrava que pode ter algum vazamento de coisas inflamáveis por ali – se bobear aquele rio de que falei pega fogo com um fósforo. As pessoas tem a mentalidade de fazer queimadas para lidar com o mato de forma mais simples e barata, pois vivemos numa sociedade do “fodam-se as consequências pras outras pessoas e pro mundo” – isso me fez lembrar que vi uma pessoa colocando fogo no mato ao lado do Carrefour da Washington Luís quando estava indo e fiquei com uma vontade de voltar e falar algumas merdas com a pessoa, tentar apagar o fogo que estava começando, mas como hoje em dia qualquer coisa é motivo de morte, deixei passar. No dia do treino com a Cicloninha, vimos uma capivara enorme um ou dois quilômetros à frente (e hoje vi outra – ou seria a mesma? – no mesmo local  =D), o que aponta que esses animais vivem por aqueles matos, quantos não devem ter morrido nesse incêndio? É foda ver essas coisas e não poder fazer nada…

Carlos e Cicloninho

Carlos e Cicloninho

Logo depois do incêndio, no ponto de ônibus antes do retorno da Reduc, passei e fiz um aceno de cabeça para um cara que estava ali, ao que ele me respondeu “Feliz natal”, e eu disse “Pra você também”. Ao passar dele percebi que ele estava de muletas, provavelmente estava esperando um ônibus que deixasse ele entrar pra pedir alguma ajuda, e como hoje em dia simpatia é algo raro (olá, cara-do-carro-carmin-que-me-xingou), voltei pra tirar uma foto e falar com o cara. O nome dele é Carlos, ele trabalha mas realmente estava ali pra pedir uma ajuda dentro do ônibus, e fiquei uma meia hora conversando com o figura – falamos do quanto as pessoas estão impessoais atualmente, de computador, de como dá pra fazer um mundo melhor se ganharmos na mega sena da virada, de justiça, de casa bagunçada (tamo junto, Carlos). Quando eu pedi pra tirar uma foto com ele e disse que era pra colocar no blog que eu estava fazendo sobre minhas pedaladas, ele pediu pra dizer que as pessoas julgam muito quem tem uma deficiência, seja física ou mental, mas que não conhecem quem realmente é aquela pessoa, não sabem quais as dificuldades que a pessoa tem que enfrentar todo dia.

Quando saí de Vila Valqueire, vi que o Wally (lembram dele, de outro post?) tinha me ligado, e decidi passar na casa dele, ficar só uns 5 minutos pra saber o motivo da ligação, falar uma pouca coisa e vir pra casa, pois mesmo não sendo o Lula Molusco eu tenho que terminar meus afazeres. Quando entrei na rua que ele mora, ele estava na porta da casa da tia dele, com sua mãe, seu pai, outras pessoas da família, incluindo o Marcelo. Os 5 minutos foram apenas uma ilusão, devo ter ficado lá conversando com o Wally e com o Marcelo por meia hora, quando finalmente tomei coragem de interromper uma boa conversa para vir pra casa.

Espero que esse post ajude as pessoas a entender duas idéias: 1 – Ninguém deve te dizer que você não pode fazer alguma coisa, principalmente você – e isso não é lema pra impressionar não, é meta de buscar se conhecer e saber diferenciar quando você realmente não é capaz de algo e quando a coisa é apenas difícil. 2 – O caminho é parte da viagem, principalmente de bicicleta; se não estão com hora marcada, esqueçam a idéia de ir do ponto A ao ponto B, esqueçam as linhas retas, pensem em múltiplas possibilidades, pensem que a menor distância entre dois pontos é aquela que é mais agradável de percorrer.

– Cicloninho

Enfim o primeiro treino…!

parte complicada

Trecho complicado

Cicloninho precisava de umas peças para bicicleta, como algumas dessas peças ele não achava por aqui, decidiu ver se teria nas lojas no centro da nossa cidade, que fica um pouco longe daqui. Transformamos essa necessidade em uma oportunidade: fomos pesquisar preços… pedalando no sol de meio dia por uns 40 km. Antes mesmo de começar a pedalada, eu já sentia meu corpo cansado, por não ter dormido muito bem à noite e pelo calor. Quando cicloninho ligou propondo o treino, decidi aceitar pois se eu conseguisse “sobreviver” ao treino, os cento e poucos quilômetros que me esperam pra viagem estariam mais pertos de serem “conquistados”. A minha grande preocupação com o trajeto que iríamos fazer, era passar pelas agulhas. Quase 80% do caminho que percorreríamos era BR, com duas pistas centrais e duas auxiliares, para fugir dos pontos de ônibus (essa BR tem muitos, devido a quantidade de bairros em seu entorno) decidimos pegar a pista central, que tem muitas agulhas (pelo mesmo motivo que a pista auxiliar tem muitos pontos de ônibus). Nesse treino, Cicloninho funcionou como um Bike Anjo, olhamos no google maps todas as agulhas que iríamos ter que passar e conversamos um pouco sobre o que fazer em cada uma delas (cada uma tinha uma especificidade, agulha de saída, agulha de entrada, antes do ponto de ônibus, depois, subida ou descida de viaduto…).  Quando foi chegando perto da primeira, combinamos dele ir na frente para sinalizar para os carros o que iríamos fazer e eu seguiria exatamente atrás… Apesar de muita tensão, conseguimos passar por ela sem problemas. Em outra, mais para frente, quase caio naqueles sinalizadores no chão (por conta da tensão nos braços acabo deixando o guidon muito rígido, com pouca flexibilidade). Perto dessa agulha passou um carro buzinando muito, era um judeu ortodoxo (ele tinha uma barba muito grande e tinha a estrela de Davi adesivada no carro) dirigindo com um largo sorriso olhando pra gente e fazendo joinha. Outra “sensação” nesse percurso de ida foi um policial reclamando com a gente por estamos no “meio da pista”.  Como vocês podem ver na foto, existia uma entrada para um retorno, em seguida um ponto de ônibus e logo depois de ponto de ônibus, a saída do retorno, tivemos então que nos manter à esquerda na faixa da direita por uma extensão razoavelmente grande. Foi nesse momento que o policial que estava em uma viatura no ponto de ônibus, “sugeriu” que transitássemos pelo acostamento. Tivemos que parar uma ou duas vezes para colocar a corrente da minha bike no lugar, pois quando trocava de marcha, à vezes a corrente “pulava” demais. E paramos algumas vezes também para beber água ( ainda não consigo fazer isso sem parar a bicicleta =/ ) No meio do caminho, vendo meu cansaço, Cicloninho sugeriu que eu  o esperasse em algum ponto enquanto ele iria até o final ver o lance da bicicleta. No fim das contas, consegui chegar no nosso destino, demoramos mais ou menos 1 hora e meia.

Açaí para repor as energias

Açaí para repor as energias

Primeira coisa depois da chegada: Tomar açaí de 500ml. o/ Na ida para a loja-que-sabemos-que-o-açaí-é-bom, encontramos o Vinny, que nos fez campanhia e nos acompanhou no açaí. A tensão da pedalada fez com que meus braços estivessem doendo mais do que minhas pernas. A volta estava sendo “temerosamente” esperada por mim, pois além do que já tínhamos pedalado, ficamos andando a pé procurando as lojas de bicicleta. Depois de comprarmos o que precisávamos, fizemos um lanche e fomos buscar  nossas bicicletas que haviam ficado no estacionamento de um shopping (não havia bicicletário, prendemos em uma grade) para depois irmos embora. A volta estava sendo muito mais tranquila, eram 17h e o sol já estava bem ameno, além de estarmos encontrando menos agulhas. Mas apareceram situações que não me cansaram, mas estressaram/irritaram.

Ponte sem acostamento

Ponte sem acostamento

A primeira delas foi um trecho da BR bem complicado de passar, era uma ponte íngreme sem acostamento nenhum. Tivemos que passar andando, o que não era menos perigoso, pois a mureta de proteção era muito baixinha, havia o risco de caírmos (acho). Mais a frente por conta de alguns pólos comerciais, haviam muitos carros parados no acostamento, isso me incomodou bastante. Pouco antes de chegarmos em um trecho que era a confluência de várias coisas (entrada, saída, retorno, ponto de ônibus, viaduto) vimos um taxista fazendo uma grande merda, ele não trocou de faixa na hora que devia e acabou atrapalhando outros motoristas. Um motorista parou para bater palmas (literalmente) para ele e acabou atrapalhando outros motoristas. Nesse momento fiquei muito tensa pois veio na minha cabeça que não basta a gente tentar fazer ideal/certo/respeitar algumas sinalizações, a gente depende também do bom senso das outras pessoas. Quando chegou no trecho com as confluências, acabei me distanciando muito do Cicloninho, acabei perdendo uma “deixa” e me apavorei. Comecei a ouvir um carro buzinando, me desesperei mais ainda, mas Cicloninho me indicou que o carro tinha diminuido para eu passar.  Foi um treino bom, posso dizer que tirei 4 aprendizados dessa experiência: 1- Pedalar com ou sem sol faz muita diferença, 2- Os carros buzinam por vários motivos, é preciso estar atento para perceber o que significou, 3- A companhia de uma pessoa com certa experiência em pedaladas assim faz muita diferença, 4- Beba água, sem necessariamente sentir sede. Uma coisa com certeza o Cicloninho tirou como aprendizado: é preciso passar protetor solar! XD

Costas castigadas pelo sol do Cicloninho

Costas castigadas pelo sol do Cicloninho

 

 

 

 

 

 

– Cicloninha

Uma pedalada inesperada pela Avenida Brasil – a volta

Venho aqui relatar com foi a volta do trabalho de bicicleta hoje, fazendo o caminho Avenida Brasil – Washington Luís. Também não teve nada demais nessa pedalada, mas fica o relato para manter a coisa completa.

Sai do trabalho, na Nova Holanda (passarela 09 da Av. Brasil), às 17:23, e cheguei em casa às 18:42. A volta foi um pouquinho mais difícil, provavelmente com o cansaço e só ter almoçado e não feito nenhum lanche entrando na equação, mas o que diretamente me atrapalhou mais foram duas coisas: 1 – A pista lateral da Av. Brasil no sentido Baixada tem uma grande extensão das “placas de concreto” de que falei antes, começando lá pela altura da marinha e só terminando quase na entrada da Washington Luís e 2 – um forte vento contra, fazendo a bicicleta perder velocidade mesmo em descidas. Pensei que vir pelo canto direito da pista central pode ser uma opção, mas não tentei e não tenho como avaliar. A parte do viaduto para quem vai pra Madureira é bem chata, pois é agulha de entrada e de saída, com um movimento nem rápido nem lento de carros, sendo apenas suficiente para não te dar janelas para passar. A Av. Brasil não estava com nenhum engarrafamento, apenas alguns pontos de fluxo lento, então não tive que costurar nada, apenas fui pela direita e evitei alguns pontos de ônibus – consegui manter um ritmo constante, embora um pouco mais lento do que eu gostaria.

No começo da Washington Luís nada demais também. Em algum momento começou a me dar uma “dor de lado”, e com alguns pequenos arrotos eu percebi que eram gazes; demorou a passar a dor, e isso deu mais uma dificultada na pedalada. Na altura do Hospital Moacyr do Carmo começou o engarrafamento, que não estava completamente parado, mas chegava a dar umas paradinhas aqui e ali. Nesse engarrafamento cheguei em uma retroescavadeira, que estava impossibilitando a minha passagem por conta de sua largura, então aproveitei e peguei uma carona, segurando na escavadeira e perguntando “de boa?” para o motorista, que apenas sorriu em confirmação. Acho que foi nessa carona que a “dor de lado” passou, mas ela não durou nem cinco minutos, pois perto do Carrefour o motorista parou em um posto pra abastecer, eu agradeci e segui a pedalada. Na subida do retorno da Reduc quase pego carona em um caminhão enorme que subia devagar, mas preferi não arriscar e apenas aproveitei o vácuo para subir com mais facilidade. Na maior parte da Washington Luís vim pela direita da pista central, pois ela tem um acostamento bom, não é tão assassina como a Av. Brasil e evita os pontos de ônibus. Quase chegando em casa vi o Wally, um amigo, dei uma buzinada para ele, mas gesticulei que não pararia por estar exausto – na verdade não estava exatamente exausto, apenas com a bunda doendo do selim, e com aquela sensação de preciso da minha casa.

Acho que mais uma vez fica um exemplo de que essas coisas são sim possíveis. Como da vez que fui para Angra e da vez que fui para Petrópolis, fui sem preparo, minha bike não é “a ideal” (aspas nisso pois concordo com o Honesto: a melhor bicicleta é aquela que a gente tem e cuida) e não sou nem um pouco atlético – mas tenho força de vontade, gosto de pedalar e de conhecer meus limites. Se o tempo estiver como hoje, amanhã tem mais um round, provavelmente dias 26 e 27 também.

– Cicloninho

Uma pedalada inesperada pela Avenida Brasil

Hoje, por conta de uma complicada conversa e da necessidade de planejar minha aula, não consegui dormir, e tive que vir “virado” para o trabalho. Quando o celular tocou, às cinco da manhã, finalizei o que estava escrevendo, desliguei o computador, tomei banho, me arrumei e sai de casa ainda comendo pão e tomando suco de maça com soja. Quem mora pela Baixada sabe como é complicado a coisa de condução aqui, principalmente para ir para o Centro; eu mesmo pego o engarrafamento da Washington Luís E o da Avenida Brasil, além de depender de uma única empresa displicente que faz o trajeto. Assim, fui caminhando em direção ao bairro vizinho, para pegar o ônibus no ponto final e, quem sabe, conseguir ir sentado.

Cheguei no ponto por volta das 05:40, e uma fila colossal me encarava, desafiadora. Alguns minutos depois, um ônibus parou, por sorte era Avenida Brasil (poderia ser Seletiva ou Linha Vermelha) e algumas pessoas desistiram, formando imediatamente outra fila. Feliz com a rapidez e a possibilidade de ir sentado, quando aproximo meu cartão do validador – pééiinn -, saldo insuficiente. O desânimo tomou conta de mim, tentei mais uma vez, na vã esperança que fosse um erro da máquina – não era. Como eu não tinha dinheiro nenhum comigo, só me restava voltar para casa, e no caminho vários pensamentos foram me ocorrendo, muitos no sentido de “não vai dar tempo, agora vou pegar mais engarrafamento ainda, nãovaidartempo”. E então, eis que o óbvio me ocorre: eu poderia ir de bicicleta! Claro, com a viagem se aproximando, eu uniria o útil (treinar e chegar menos atrasado) ao agradável (pedalar). Assim, cheguei em casa, tirei algumas coisas da mochila, coloquei a bermuda de ciclista e uma camisa de naylon (está certa a grafia?), coloquei a roupa de trabalho na mochila, juntei algumas ferramentas, coloquei capacete, peguei tranca e apito, e fui, sem pensar muito.

Saí de casa exatamente às 06:23. Em dois ou três minutos já estava pedalando na Washington Luís, e não via a hora de encontrar o engarrafamento, para ter a sensação boa de “vocês não estão pres@s no trânsito – vocês SÃO o trânsito”. Mas a preocupação com o horário me fez puxar um pouco o ritmo, e a ansiedade fez da minha cabeça um local hostil, com pensamentos chatos – resolvi contar as pedaladas para higienizar a cabeça, e cheguei a 700 e poucas. Quando cheguei na altura da Reduc, tinha um ou mais pneus destruídos na pista lateral, o que me fez pensar no quanto o automóvel é, realmente, um problemão – não que fosse uma reflexão nova, mas qualquer coisa pra ocupar a cabeça ajudava. O engarrafamento estava lá me esperando, na altura do jornal O Globo; como @s motorist@s são incentivad@s a pensar só em si, obviamente o acostamento estava impedido, e os carros fazendo besteiras eram bem comuns. Fui costurando no meio daquele caos, que sumiu por alguns metros depois da divisão Av. Brasil – Linha Vermelha, mas voltou com força na Cidade Alta. Já fui esperando a péssima entrada para a Brasil vinda da Washington Luís, com quase um quilômetro de placas de concreto (eu acho) mal colocadas, que fazem sofrer qualquer pessoa em uma speed – mas esse trecho ganhou um asfalto que eliminou isso, fazendo essa entrada muito melhor.

A Av. Brasil espanta muita gente, coloca medo em tantas outras, mas nunca me causou mais que tédio (a coisa de não ter no que pensar) e irritação (o combate com @s motorist@s, principalmente de ônibus – e @s taxistas, que sei lá porque sempre me importunaram por ali). Olhei o relógio quando entrei na Brasil, e ainda eram sete e poucas, então fiquei mais tranquilo; mas as condições da Brasil e meu ânimo da pedalada me fizeram continuar o trabalho de alfaiate. Nada muito notável na Brasil, nenhuma grande dificuldade. O mais impressionante, algo que eu queria muito que acontecesse mas não apostaria minhas fichas, foi que eu PASSEI O ÔNIBUS QUE EU HAVIA PERDIDO. Ou seja, eu perdi o ônibus por volta de 05:45, andei até minha casa (uns vinte minutos), me arrumei e saí por volta das 06:23, e mesmo assim consegui passar o ônibus. A certeza de que era ele está principalmente em algo que me chamou a atenção quando o vi parado: na lateral, estava escrito “Magé – Petrópolis”; a isso se somou o formato “velho” do ônibus e o letreiro. Cheguei tranquilo no trabalho, consegui tomar uma chuveirada (pena que não trouxe toalha nem sabonete) e sobrou tempo – se o clima permitir, amanhã repito a dose, de bobear com fotos e vídeos!

Ou seja, cheguei mais cedo no trabalho, sem o mau-humor e cansaço do trânsito dentro do ônibus, mais disposto e ainda fiz um exercício! Não preciso de um Desafio Modal pra saber: bicicleta é o melhor meio de transporte no meio urbano!

– Cicloninho

P.S.: Como Murphy olha por mim, provavelmente a volta aguardará surpresas malignas =D