Uma pedalada esperada até Aldeia Velha

Há muito tempo @s Cicloninh@s pensavam em fazer uma viagem de bicicleta junt@s, mas sempre tinha algum problema, muitas vezes possivelmente falta de organização e preguiça, que nos impedia. Nesse final de ano, com o término da graduação da Cicloninha, vimos a oportunidade aparecer novamente, e decidimos não deixar ela passar. Queríamos pedalar, mas não sabíamos para onde, e Aldeia Velha apareceu como ótimo local por vários fatores, entre eles: ser relativamente longe, proporcionando um bom pedal; o Honesto já ter ido duas vezes pra lá de bike e ter relatado uma delas no seu blog; ser um local calmo, tranquilo e longe do “circuitão de férias”; termos achado um local barato e legal para ficar.

O plano era ir daqui de casa a casa do padrinho do Cicloninho, em Magé (aproximadamente uns 30km), para economizar essa uma hora e meia de pedalada, render mais o tempo de pedalando sem sol, coisas assim. Só que no dia em que planejamos sair, estava chovendo muito, fomos então fazendo o “confere” da checklist; comprando as últimas coisas e providenciando os arremates necessários. No dia seguinte o tempo parecia melhor, mas logo começou a chover e o desânimo já começava a bater: “Será que não vamos conseguir fazer essa viagem?” O plano era: “Se não estiver chovendo às 17h, vamos até Magé. Chegamos lá por volta de 19h e dormimos por volta das 21h. Acordamos 2h para sair às 3h. Paramos em Rio Bonito (metade do caminho) às 9h, descansamos, conhecemos a cidade e voltamos a pedalar às 16h para conseguir chegar em Aldeia Velha às 22h.” Primeiro contratempo: estava chovendo às 17h. Pensa. Para. Reflete. Ajeita mais uma coisa. Preguiça. Olha no Climatempo. Uma ideia: “Está com cara que a chuva vai parar. Podemos sair às 19h, para chegar em Magé às 21h, ir dormir e continuar com o plano de viagem.” E nessa de esperar a chuva passar, fomos arrumando as bikes devagar.

O céu estava nublado, carregado de nuvens na hora que saímos em direção à Magé. Logo no primeiro quilômetro, Cicloninho reclamava dos alforges batendo no calcanhar e os meus entraram um pouco na roda. Com uma rápida parada conseguimos resolver estes problemas. A pedalada foi muito tranquila na maior parte do trajeto. Era noite, o ar estava fresco e a noite agradável. Tivemos que parar algumas vezes para colocar a corrente na coroa da minha bicicleta (mais um capítulo da novela do passador dianteiro) e uma ou duas vezes em subidas que, como diria o Cicloninho, a Cicloninha arregou. A parte mais tensa foi pegar um trecho da BR 493 que é escuro e esburacado (na verdade, essa BR tem só um trecho iluminado, em frente ao Corpo de Bombeiros). Pegamos chuva nos últimos 4 ou 5 quilômetros. Chegamos, tomamos banho, comemos nosso miojo e fomos dormir. Mas às 3h da manhã quando o relógio despertou, outro contratempo (na verdade era o mesmo): estava caindo um toró! Decidimos voltar à dormir e ver o que faríamos pela manhã. Às 7h da manhã ainda chovia muito. Lá pelas 9 e pouca a chuva estiou. Pensa. Para. Reflete. “Quer voltar?”. Olha no climatempo. “Vamos?”

Chuva na maior parte do caminho no primeiro dia

Chuva na maior parte do caminho no primeiro dia

Saímos às 10:55. Depois de 5 minutos de pedalada, já chovia bastante, mas continuamos. Ainda no trecho Magé-Manilha, indo em direção à BR 101, o pneu traseiro da Cicloninha furou. Não esperávamos que acontecesse tão rápido, mas pensamos: “Acontece.” Depois, já na BR 101, mais precisamente no Viaduto de Duques, foi a vez do pneu traseiro do Cicloninho furar, ou melhor, rasgar (É impressionante a quantidade de coisas no acostamento prontas para furar os pneus das bicicletas). Aproveitamos para fazer nosso almoço e nisso encontramos um “trecheiro”. Estava vindo de São Paulo, sem freio (o_o), talvez fosse para Macaé. Aproveitamos a parada e torcemos um pouco das roupas encharcadas, fizemos um arroz com lentilha (usando uma espiriteira a álcool) somente com água e sal e ficou, surpreendentemente, gostoso. Cicloninho remendou a camâra de ar e depois seguimos viagem.

Nosso primeiro almoço na estrada: arroz com lentilha

Nosso primeiro almoço na estrada: arroz com lentilha

Pneu rasgado

Pneu rasgado

Em Tanguá, a Cicloninha estava bem cansada e já começávamos a pensar em algum lugar para dormir. Perguntamos em um posto de gasolina quanto faltava para Rio Bonito –  Ao ouvir 12 km trocamos olhares e a Cicloninha disse que dava pra chegar. O pneu traseiro da bicicleta estava um pouco baixo. “Será que furou novamente!?!?” Enchemos o pneu e fomos. Já bem perto da entrada de Rio Bonito o pneu arriou de vez. Solução: empurrar a bicicleta. Passando pela frente da UPA 24h de Rio Bonito, um cara nos abordou super empolgado, falou que também andava de bicicleta, fez algumas perguntas e nos indicou um hotel “baratinho” no centro de Rio Bonito (entre aspas porque não achamos tão barato assim quando chegamos lá). Uma outra opção era tentar ficar em uma igreja católica pois essas igrejas geralmente possuem um quarto e abrigam viajantes. Mas nos indicaram uma igreja que parecia não ser católica e que no momento acontecia alguma atividade. Resumindo: fomos para o hotel. Lá, aproveitamos para lavar umas peças de roupa na pia do banheiro. Estendemos um varal improvisado atravessando o quarto para que as roupas pudessem secar. A diária valia atá às 12h do dia seguinte, assim o plano era simples: Desceríamos para o café da manhã às 8h, por volta de 11h desceríamos novamente para começar arrumar as bicicletas e conseguir sair 12h. Mas quando fomos colocar a roda da bicicleta da Cicloninha no lugar (havíamos levado a roda para o quarto para fazer o remendo lá) vimos que o pneu da bicicleta do Cicloninho muito rasgado, não dava pra seguir daquele jeito. Mudança de planos: sair para procurar uma loja de bicicletas para comprar um pneu novo (“Será que vai ter pneu para speed?”) e câmaras de ar extras para as duas bicicletas. Cicloninho foi nessa missão e a Cicloninha ficou no hotel adiantando as coisas, e quando ela vai colocar os alforges na sua bicicleta se depara com mais uma surpresa desagradável, o pneu dianteiro estava bem vazio. Por via das dúvidas ela retirou a fita anti-furo caseira que havia feito, pois desconfiávamos que ela pudesse estar causando furos; o Cicloninho acha que foi uma coisa específica na feitura da fita que ocasionou isso, pois ele tem uma fita antifuro caseira em um bike, com um pneu carequinha, e não dá problemas.

Açaí em Rio Bonito

Açaí em Rio Bonito

Tudo resolvido. Fomos procurar alguma coisa para comer. Tomamos um açaí de 500 ml cada um, com muito amendoim e rosquinhas para acompanhar. Estávamos  apreensivos com a possibilidade de mais furações de pneu mas seguimos em direção à Aldeia Velha. Iríamos voltar para BR 101 por onde havíamos entrado em Rio Bonito, mas por indicação da moça do Açaí fomos em outra direção, na qual pegaríamos a BR 101 bem mais na frente. Teria sido uma boa opção, se esse caminho não fosse 90% feito de paralelepípedo; mas, ao menos, passamos da entrada da Via Lagos. Esse trecho da BR era muito mais tranquilo e bonito do que o que já havíamos percorrido – pouco volume de carrros, algumas cadeias de morros. Como problema pouco é bobagem, logo nos primeiros KM nessa volta à BR, o Cicloninho percebeu que o pneu novo estava com uma deformação, causando um “ovo” inconveniente no pneu, mas preferiu continuar assim do que voltar em Rio Bonito para tentar trocar o pneu, em um sábado onde as coisas já poderiam ter fechado. Depois de pouco mais de 2h pedalando, fizemos uma parada. Como estava muito quente, não tínhamos vontade de comer comida/fazer o almoço. Procuramos, mas como era de se esperar de uma lanchonete chamada “Queijão”, não encontramos algo vegan e/ou barato. Uma coisa que comprovamos nessa viagem foi que bicicletas atraem pessoas legais. Nessa parada nossas bicicletas nos permitiram conhecer o Eduardo e a Patrícia de Rio das Ostras, que andam de bike também e pilham em cicloturismo, estavam inclusive indo trabalhar na Copa América (que nós não fazemos idéia do que seja  XD) – dêem uma conferida no blog deles. Foi bom conversar com eles!

Eduardo: cicloturista de Rio das Ostras

Eduardo: cicloturista de Rio das Ostras

Apropriação de um coco.

Apropriação de um coco.

Umas pedaladas depois notamos que o pneu da bicicleta do Cicloninho estava meio vazio, e além disso, algum tempo depois a roda começou a bambear. “Era só o que faltava… o eixo quebrar.” Para. Tira alforge. Pensa. Mexe. Se apropria de um coco da fazenda que paramos em frente. Coloca alforge. Volta a pedalar. Mais a roda continuou bamba. Ainda faltavam uns 10 km mais ou menos até o quilômero 215 da BR 101, ponto onde fica a entrada para Aldeia velha. Depois de lá ainda seriam mais 8 km de estrada de chão até Aldeia Velha. Cicloninho estava MUITO irritado. Queria que a Cicloninha fosse na frente e ele “se virava”, mas ela não queria ir na frente. Tentou pedalar mais um pouco. “É, realmente não dá.” Tentou encher o pneu pra ver se dava pra pedalar mais e eis que… Cicloninho percebe que havia esquecido de apertar o pino da válvula (presta) da câmara de ar e por isso ela estava esvaziando, e, consequentemente, como era um pneu 700X20 vazio, dava essa impressão de eixo quebrado – pedalar com peças que você não está acostumad@ cria essas dificuldades. Problema resolvido: Só felicidade! Ainda estava claro quando chegamos na entrada para Aldeia velha, foi escurecendo no caminho. Quando chegamos no centro da cidade, fomos perguntar onde ficava a Fazenda Bom Retiro para umas pessoas que estavam na frente de um bar. Uma delas perguntou espantada: “Vocês vieram de bicicleta lá da entrada?” E eis que aumentamos seu espanto quando respondemos: “Estamos vindo de Caxias, no Rio de Janeiro.” Depois de mais ou menos um quilômetro chegamos na Reserva Bom Retiro.

Entrada de Aldeia Velha

Entrada de Aldeia Velha

Estamos preparando o relato da nossa estadia e da nossa volta. É que a viagem trouxe muitas ideias e empolgações, então estamos tendo que dividir nosso tempo com construções de forno solar, visitas a amigos etc.

– Cicloninh@s

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O que levar em uma viagem de bicicleta

Segunda viagem de bike do Cicloninho e primeira viagem minha de bike, conversamos e decidimos levar os seguintes itens:

Barraca
– Isolante Térmico
     – 2mX1,20m de Etaflon de 2mm aluminizado
     – 2mX1,20m de Etaflon de 8mm
Manutenção das bicicletas
     – Câmaras de Ar
     – Estojo de ferramentas
          – Chaves de boca
          – Chaves Allen
          – Espátulas para retirar pneu
          – Adaptador de válvula
          – Bomba
          – Cabos de freio
          – Cabos de marcha
          – Esponja
          – Saca Corrente
          – Sapatas de freio
          – Canivete com chaves e alicate
          – Kit de Remendo
Higiene
     – Sabonete de coco
     – Escovas e pasta de dente
     – Hidratante
     – Desodorante
     – Shampoo e Condicionador
     – Repelente
     – Talco
     – Protetor Solar
     – Vaselina Líquida
Remédios e Primeiros Socorros
     – Pacote de gaze esterilizada
     – Antisséptico
     – Atadura elástica
     – Atadura normal
     – Paracetamol
     – Dipirona
Gambiarra
     – Coisas de costura
     – Braçadeiras
     – Ganchos
     – Barbante
     – Tesoura
     – Câmara de ar aberta
     – Durex ou outra fita
     – Caneta marca CD
Pessoais
     – Cartucheira
     – Caderno com caneta
     – Câmera com carregador
     – Canivete Suíço
     – Bússola
     – Lanterna recarregável com rádio
     – Faca
     – Celular com carregador
     – Óculos escuros
     – Roupas Cicloninho
          – Toalha de banho
          – Bermuda de ciclista
          – 2+1 bermuda de tecido que seque rápido
          – 2+1 camisas sem manga, preferencialmente brancas
          – 2+1 cuecas
          – 1+1 pares de meia
          – Joelheira elástica
     – Roupas Cicloninha
          – Dois shorts de tecido que seque rápido
          – Vestido leve e fácil de lavar
          – Toalhinha
          – 1+1 pares de meia
          – Caderno com caneta
          – Celular com carregador
          – Top
          – Blusa leve branca
          – Toalha de banho
          – Bermuda de ciclista
          – 2 blusas leves
          – Óculos escuros
          – Calcinha e biquinis
Comida
     – Bananada
     – Biscoito salgado (Pit Stop)
     – Mingau semi-pronto
     – Açucar e sal
     – 500g de Lentilha
     – 4 pacotes de Miojo
     – 1kg de arroz
     – Leite de soja em pó
     – Colher de pau
     – Talheres
     – Fósforo e isqueiro
     – Espiriteira a álcool
     – Panela tipo caçarola

Fazendo os alforges

Para a viagem que eu fiz com o Honesto para Rio das Ostras eu fiz um par de alforges, bem simples – dois “sacos” de material impermeável (que não sei direito o nome, se é “courino”, “napa”, “corvim”…), mais ou menos quadrados, com ganchos para prender no bagageiro de trás. Mas esses alforges não me agradaram 100%, por alguns problemas que apresentaram com o uso: ficaram um pouco grandes, batendo no meu calcanhar quando pedalava – isso se deu pois, na hora de medir, eu coloquei o meio dos pés no pedal, e não é com essa parte que pedalo, mas sim com a parte atrás dos dedos, então esses centímetros fizeram diferença; não planejei direito algo para prendê-los na parte de baixo, acabei improvisando uma amarração que rasgou o tecido; eles não ficaram exatamente quadrados, pois visualizei uma coisa, mas como fiz na noite anterior à viagem, a pressa me levou por um caminho diferente, o que me fez perder espaço no alforge. Mesmo com esses problemas, os alforges serviram bem à viagem, principalmente como experiência. Agora, com o planejamento para outra viagem, surgiu a necessidade de fazer novos alforges.

Achei a idéia de fazer de um material impermeável boa, mas como tinha um bom pedaço de uma espécie de lona aqui em casa dando bobeira, fui pela economia. Quanto ao formato não tem muito mistério – existem alforges com um desenho mais “recortado”, para aproveitar melhor o espaço disponível, outros com divisões externas e internas, bolsos e fechos em vários lugares… mas para alguém com limitadas habilidades de alfaiate como eu, quadrado/retângulo básico já está bom. Dessa vez, no entanto, eu escolhi fazer eles um pouco maiores “para cima”, ou seja, com alguns centímetros passando do bagageiro, os ganchinhos de fixação prendendo depois de 1/3 do alforge mais ou menos – para essa viagem, com certeza vai dar certo, pois a barraca vai no bagageiro, fazendo altura suficiente para “apoiar” esse excesso de alforge na própria barraca. Para prender em baixo usei duas tiras com fivela de alguma bolsa velha, que fecham com o esquema de pino e furo, como pulseiras de relógio. Costurei duas fitas na parte traseira, já que os alforges junto com a barraca vão bloquear meu refletor traseiro, uma fita laranja fluorescente e uma fita cinza/branca reflexiva – o ideal era uma fita reflexiva vermelha, mas como não achamos, foram essas mesmo. Prendi a tampa do alforge com um fecho simples, daquele tipo que tem em alça de mochila, e coloquei um bolso que tirei de um calça jeans velha em cada tampa, para levar coisas pequenas que tem que ficar mais à mão (protetor solar, dinheiro, talvez as ferramentas). Costurei  a grande maioria dele na máquina, cortei segundo medidas que tirei na bike (mas devido à minha inabilidade, ficou bem torto), e fiz estilo caixa mesmo: frente, trás, laterais, fundo e tampa. Algumas coisas teriam dado menos trabalho se eu tivesse mais habilidades e me planejado melhor, como por exemplo costurar as fitas reflexivas, que só lembrei depois de prontos os alforges.

No primeiro teste que fiz, os alforges se mostraram bons, mas apresentaram o problema de ficar batendo na roda – solucionei o do calcanhar, no entanto. Olhando bem, percebi que era pelo peso somado ao fato dos ganchos que os prendem na bike permitirem certa mobilidade; assim, no treino improvisei uma amarração com barbante, passando pelos dois e prendendo no canote, assim puxando eles um pouco para frente e resolvendo o problema. Uma solução definitiva para isso seria colocar algo rígido por dentro, fazendo a parte de trás se manter sempre reta e não sobrar nada solto para ficar batendo na roda; no entanto, quero evitar colocar mais peso e ocupar espaço no alforge, mesmo que seja só uma peça de papelão encapada. Vou tentar fazer uma alça que ligue os dois por cima da barraca, se não resolver eu coloco algo por dentro mesmo.

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Visão geral dos alforges

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Detalhe do bolso e fecho da tampa

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Detalhe da parte de trás, com os ganchos e fivela

– Cicloninho

Não tinha uma ideia exata de como seria um alforge, o que eu tinha como referência era o que o Cicloninho pela primeira vez. Com base neste exemplo, comecei a procurar (nas caixas com vários pedaços de pano que tenho aqui em casa) por um tecido que fosse grosso (depois pensei que as características mais importantes seriam sintético ou impermeável ao invés de grosso, mas já tinha adiantado o alforge o suficiente para abandonar tudo e continuar do zero) .

Primeira ideia de lateral para o alforge

Primeira ideia de lateral para o alforge

Encontrei um pedaço de jeans “macio” que parecia ser suficiente. Depois de algumas medições no bagageiro da bicicleta, decidi fazer um com 30cm x 30cm. Inicialmente pensei em colocar um pedaço de pano cobrindo o bagageiro costurando cada alforge de um lado desse pano. Depois pensei em colocar ganchos como no alforge do Cicloninho, mas foi impossível encontrar ganchos que encaixassem no meu bagageiro. Acabei voltando à ideia de colocar um pano entre os alforges, e por fim, coloquei dois pedaços de alça de algodão (dessas que se coloca em bolsa estilo “carteiro”) ligando um ao outro e costurei algumas tirinhas para que eu pudesse prender os alforges também nos canotes que prendem o bagageiro na bicicleta. Uma preocupação que vale a pena ter com os panos “que desfiam” (como o que eu escolhi) é passar na máquina overloque (máquina feita para arrematar as bordas dos panos impedindo que eles desfiem) ou fazer costura inglesa (dobrar a borda do pano duas vezes e costurar impedindo que o pano desfie). Não consegui tomar esse cuidado com todas as bordas do meu alforge e agora (prestes a sair de casa) fico com medo de ter alguma surpresa desagrádável no caminho.

Lateral definitiva

Lateral definitiva

Fiz meu alforge em quatro etapas diferentes: comecei a fazer na casa da minha vó (com a ajuda da minha mãe overlocando o que eu já havia recortado), tentei fazer em casa (com muita paciência pois não havia máquina de costura, teria que fazer tudo à mão), contando novamente com a ajuda da minha mãe continuei a fazê-los na casa dela (na verdade ela que costurou para mim :$), e a última etapa foi na casa do Cicloninho, com quem pude “discutir” os últimos detalhes. Algumas coisas que valem ressaltar: 1- foi um alforge de baixíssimo custo, pois a única coisa comprada foram as fitas reflexivas, o restante dos materiais foi reutilizado; 2- para quem não tem muita prática de utilizar máquinas de costura, o acabamento  tende a não ficar muito bom, eu achei que o acabamento do meu alforge ficou à desejar e sei que se eu tivesse feito à mão (ou minha mãe tivesse costurado tudo para mim) ele ficaria mais bonitinho. A falta de intimidade com a máquina de costura (e de coordenação motora) era tanta que o Cicloninho me ajudou bastaaannte nesse momento; 3- É muito importante testar os alforges antes de usá-los. Com uma primeira pedalada rápida pudesse identificar alguns probleminhas e tentar resolvê-los.

Se ele vai “dá para o gasto”, somente na volta posso dizer! =]- Cicloninha

Teste do alforge

Teste do alforge

Mainha costurando

Mainha costurando

Alforges prontos com roupas e etc etc.

Alforges prontos com roupas e etc etc.

Escolhendo o melhor selim

Nas pedaladas que fiz pela Av. Brasil (aproximadamente 30km de ida e 30klm de volta), ficou patente que preciso trocar meu selim; na volta sempre tinha uma sensação de “bunda achatada”, tendo que levantar algumas vezes do selim para aliviar. Para a compra do novo selim, eu tinha duas coisas em mente, retiradas de observações pessoais e conversas/recomendações com pessoas que pedalam: 1- o selim deve ser vazado, para proteger a próstata; 2 – evitar selim de gel, pois ele pode te deixar sem estabilidade por ser mole demais. Antes de comprar qualquer coisa, claro, uma pesquisa; e nessa pesquisa, vi que essas duas certezas que eu tinha são, no mínimo, questionáveis. Entre vários artigos bons que eu li, destaco esse aqui, que trás uma boa quantidade de informações em um só lugar, e é de uma pessoa que pedala muito (participa de Audax), então tem algum know-how.

O que ficou claro nessa pesquisa é que o tamanho ideal do selim tem que ver diretamente com a distância entre os ísquios, que são as protuberâncias ósseas que se projetam do cóccix para a bunda, o osso com o qual a gente senta. Existem vários métodos para medir essa distância, desde os mais caseiros como sentar em cima de um papelão canelado bem macio até os mais sofisticados, que envolvem médic@s e radiografias; para quem pedala, a fabricante de selins “Specialized” fez um equipamento para realizar esse medida de modo simples e rápido, o “assometer” (“bundômetro”, em tradução livre) – trata-se de uma almofadinha onde você senta por uns segundos, seu peso vai deformar temporariamente a espuma, então mede-se a distância entre as partes mais baixas da deformação.

Para não errar nem gastar dinheiro testando selins, como vi muita gente dizendo que fez em alguns fóruns, pensei em encontrar uma loja que tivesse o bundômetro (parece que a Specialized distribui isso em lojas que vendem seus produtos) para comprar o selim mais indicado. Aqui pelo meu bairro as pessoas faziam a maior cara de interrogação quando eu perguntava, e mesmo no centro de Caxias as lojas não tinham a ferramenta. Perguntei então pela lista da bicicletada se ealguém sabia de alguma loja do Rio que tivesse o bundômetro, mas ninguém pareceu saber, apenas surgiram algumas considerações sobre a possibilidade de eu estar sendo fresco em pensar no conforto de minhas nádegas. Sem opções, fiz o meu melhor: tentei medir manualmente a distância entre meus ísquios, com a ajuda de uma fita métrica. O resultado que tive foi de 13cm, e pelo que tinha visto na pesquisa muitos selins são projetados para 130mm, então confiei nesse medida; para não ir às lojas com uma fita métrica, tentei medir pela minha mão, e a distância entre meu pulso e meu dedo mínimo é de, aproximadamente, 13cm, então tomei isso como base. Optei por um selim da Astor, vazado, de espuma, mais estreito e comprido do que o que usava antes; eu nunca usei um selim vazado, então decidi testar dessa vez, espuma pois não achei um de gel e também pelo preço, mais estreito e comprido levando em conta a medida que fiz,  pois parece que para os homens o selim deve ser estreito e comprido do que os das mulheres (falando de uma forma geral, óbvio), por conta do quadril mais largo das mulheres e do períneo maior nos homens. E, claro, sempre uso uma bermuda com forro de espuma, genérica.

Selim novo (2013)

O novo selim, que será testado nessa viagem

Selim antigo (2012)

Selim antigo, reprovado pela Av. Brasil

Selim bike velha

Selim que uso pra percursos de 20, 30km – quem é @ fresc@ agora? XD

Mais um mito que se vai…

Ontem, por ainda estar sentindo o mal-estar estomacal de que falei no último post, decidi vir para o trabalho de onibus; cheguei uma hora adiantado, e como vim dormindo o trajeto quase todo, só pude presumir que não havia engarrafamento. Hoje, mesmo ainda sentindo coisas estranhas na barriga, decidi vir de bike, e aí vi com meus próprios olhos, saindo de casa as 06:00, uma Washington Luís sem nenhuma retenção, fluxo constante e fluído – lógico, na bifurcação Av. Brasil/Linha Vermelha a coisa deu uma congestionada, mas nada comparado as outras vezes que fiz esse trajeto – culpa das férias escolares e dos feriados. A Avenida Brasil tinha alguns pontos de retenção e outros de pista livre, bem diferente dos outros dias também.
Ver as pistas livres e sem transito me fez pensar em ir de onibus – só que não. Hoje saí de casa 06:00 e cheguei as 07:07 no trabalho; ontem, saí de casa 05:30 e cheguei no trabalho as 07:00. Ou seja, ir de bike não é mais rápido que ir de onibus só no transito nosso de cada dia, o é também em dias de transito menos intenso.

– Cicloninho

Treino do Foreveraloninho e coisas pelo caminho

Ontem, véspera de natal (24/12/2012), tive mais uma desculpa para pedalar pela Avenida Brasil, mas desta vez no sentido contrário – Vila Valqueire (que, segundo a Bironca, fica a uma hora e meia do Rio de Janeiro – piadinha de família para dizer que é longe, #maseuri). Meu pai viria até a casa da minha tia para passar o natal, e eu precisava acertar uma coisa de trabalho com ele, além de querer ver minha irmã e meu irmão um pouquinho. Eu tive que fazer esse treino sozinho, pois a Cicloninha não quis ir… Como @s cariocas sabem, dia 24 estava um calor digno do Hell de Janeiro, o sol nos proporcionando quanta síntese de vitamina D fóssemos capazes de fazer, nenhuma nuvem no céu pra dar uma esperança; assim sendo, decidi esperar dar uma amenizada para sair, pois o sol está se pondo lá pras quase-oito. Fui me preparando aos poucos durante o dia, pois ainda tinha que resolver a coisa do pedal da minha bicicleta (tinha que trocar e o parafuso não saía nem a pau, soldou de ferrugem – ficaadica, sempre limpem a bike depois de uma chuva ou mesmo de uso constante, e coloquem uma gotinha de óleo em cada rosca que encontrarem), colocar o ciclocomputador no lugar (que deve estar com o cabo partido, pois ligou mas não marcou nada – é um saco contar com uma coisa e não tê-la), arrumar as coisas de trabalho que eu tinha que levar. Uma coisa estava me preocupando (e ainda está): desde a janta do dia anterior que eu não estava me sentindo bem, logo depois de jantar (nada anormal – lentilha, macarrão e proteína de soja) me senti empanzinado, e nem tinha comido muito; depois, quando fui beber água (sempre com um mínimo de uma hora após as refeições), senti uma dor no estômago, igual a quando bebemos água em jejum. Fiquei ontem sentindo essa sensação o dia todo, consegui comer muito pouco e toda vez que ia beber água sentia essa dor – o resultado foi uma má alimentação e pouca hidratação, nesse calor de nãotenhovontadedeviver. Mesmo com esse mal-estar decidi ir de bike, pois acho que ninguém deve poder nos dizer que não conseguimos fazer alguma coisa, principalmente nós mesm@s.

Saí de casa 19:23, pedalando um pouco mais devagar do que gostaria, por conta desse mal-estar mencionado. A Washington Luís estava tranquilíssima, o fluxo de carros estava mínimo, então segui sem problemas até a Av. Brasil. Ao entrar na Brasil, a mesma tranquilidade, as pessoas realmente ficam em suas casas para o natal. O sentido Zona Oeste da Av. Brasil, depois da Washington Luís, é um pouco pior, menos conservado, e isso sempre dificulta a pedalada, principalmente em uma speed, onde você sente qualquer pedrinha no chão – isso NÃO É exagero. Foi a primeira vez que fui de bike até a casa da minha tia sem entrar por Madureira, que era o caminho que sempre fiz, por ficar na cabeça que Vila Valqueire fica dentro de Madureira (afinal, sempre peguei o ônibus Petrópolis – Madureira para ir pra lá, então na minha cabeça de besta-espacial, ficou essa associação). Mas dessa vez fui pelo caminho que as pessoas fazem de carro, que é passar pela Brasil da entrada de Madureira e entrar mais à frente, acho que é a entrada para Deodoro, é ao lado do Corpo de Bombeiros – inclusive, aquele retorno em paralelepípedos complicou um pouco a minha vida.

Xópis fechado no natal

Isso é um absurdo contra o natal!

Reparando algumas coisas nesse trajeto acabei pensando, refletindo, e percebi que o verdadeiro espírito natalino está morrendo – a coisa de verdade, sem todas essas frescuras e mentiras que colocam em cima. Passando pela Washington Luís, fiquei impressionado ao ver um templo novo, grande, fechado – afinal, muitas pessoas chamam o dia 24 já de natal, então acho estranho um templo fechado logo nesse dia, onde as pessoas tem mais motivos do que no resto do ano para ir aos templos. Na Avenida Brasil, altura de Guadalupe, a mesma cena se repetiu, com um templo ainda maior – passei por um templo antes desse que também parecia fechado, mas esse era um pouco mais distante e não posso dizer com certeza. Como assim shopping centers fechados na véspera do natal?! Aonde essas pessoas estão com a cabeça?! E o direito das pessoas de viver o espírito natalino, de fazer suas compras de última hora, de sentir os prazeres e maravilhas que só o consumo puro e simples pode proporcionar? Não sou adivinho, mas tenho certeza que Papai Noel ficou muito #xatiado com essa situação – tsc, tsc, tsc…

Eu tinha pensado em ir e voltar na mesma noite, tanto pelas coisas que eu tenho que fazer (dou aula amanhã às 08:00 e ainda não terminei o planejamento, por exemplo) quanto pelo treino (que aí seriam os quase 39km de ida mais 39 de volta, totalizando uma pedalada de 78km, um treino bom), parar uma ou duas horas por lá e voltar. Mas o mal-estar persistente, as conversas com as pessoas e a Lívia e o Daniel (minha irmã de 7 anos e meu irmão de 3) acabaram me fazendo desistir – o Daniel com meu capacete estava hilário, e pela situação estar boa nem lembrei de tirar uma foto (“tentando apriosionar momentos eu esqueço de vivê-los”; isso é da Vivenciar, não é?). Passei a noite lá, e o sol de hoje não me deixou vir logo cedo – peguei no pedal 18:20. A volta foi bem tranquila também, mesmo que as pistas estivessem com mais movimentação. Como ainda estava com o mal-estar (tem gente dizendo que isso pode ser gastrite, preciso averiguar isso), embora incomodando menos do que na ida, pedalei num ritmo interessante (como o ciclo computador não estava funcionando não posso dizer a velocidade, mas eu estava pedalando a uma volta por segundo no “penúltimo pinhão”) mas sem pressa. O bom de pedalar sozinh@ é que você faz seu ritmo, decide seu trajeto, suas paradas; o ruim, principalmente para alguém vacinad@ com agulha de vitrola como eu, é que a cabeça fica funcionando e você não tem ninguém pra falar alguma coisa – e quando a gente está com algum problema na cabeça, tempo vago é tudo que esse problema quer pra dominar nossos pensamentos. Tirando um imbecil que colocou a cabeça pra fora e gritou “Malucoooo!!!” em uma agulha perto do Carrefour da Washington Luís, foi uma pedalada bem tranquila, mas queria falar de algumas situações do caminho, algumas que só pude viver por entender que de bicicleta, o caminho faz parte da viagem, não é simplesmente um empecilho como quando vamos de automóvel (e isso eu aprendi com o Honesto quando fomos para Rio das Ostras).

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Água fresca, mas de origem desconhecida

Umas das vezes em que estava voltando do trabalho, na ponte (acho que é sobre o rio Suruí) logo depois do Feirão das Malhas, vi um cara tomando banho com uma água aparentemente potável – digo isso pois a água daquele rio é podre, cheira a óleo, provavelmente consequência de muitas irresponsabilidades somadas e de uma refinaria de petróleo logo ali… Fiquei na cabeça que ou ali embaixo da ponte tinha uma fonte de água não-poluída-bizarramente ou o cara tinha levado a água até ali de balde, e eu queria dar uma conferida nisso. Quando passei ali com a Cicloninha, no nosso primeiro treino, decidi não parar; mas hoje eu parei e, confirmando minha hipótese, lá estava um cano jorrando água transparente (em contraste com a água cor de óleo queimado do rio) em abundância, junto com embalagens de sabonete, um vidro de perfume e uma barbeador usado (é, parece que o lugar é usado mesmo para tomar banho). Eu, que cresci tomando água da torneira, tratei de beber um pouco, pois ainda na Av. Brasil a água que eu tinha levado já estava quente, e a água que saia do cano não tinha nenhum gosto estranho; se eu morrer de algum verme bizarro, já sabem. Usei a água também pra jogar no corpo, pois ela estava bem fresca.

Mais na frente, um caminhão de bombeiros estava parado no acostamento, e logo vi que a parte de mato na beira da estrada, altura da Reduc, estava com um incêndio bem grande. Teve uma parte que eu passei por dentro da fumaça, e o dia escureceu! Eu sei que o tempo estava muito quente e seco, já tem uns dias que não chove e tudo o mais, mas não consigo tirar da cabeça que aquilo não foi causado só pelas condições climáticas. Só o fato de estar na área da Reduc já mostrava que pode ter algum vazamento de coisas inflamáveis por ali – se bobear aquele rio de que falei pega fogo com um fósforo. As pessoas tem a mentalidade de fazer queimadas para lidar com o mato de forma mais simples e barata, pois vivemos numa sociedade do “fodam-se as consequências pras outras pessoas e pro mundo” – isso me fez lembrar que vi uma pessoa colocando fogo no mato ao lado do Carrefour da Washington Luís quando estava indo e fiquei com uma vontade de voltar e falar algumas merdas com a pessoa, tentar apagar o fogo que estava começando, mas como hoje em dia qualquer coisa é motivo de morte, deixei passar. No dia do treino com a Cicloninha, vimos uma capivara enorme um ou dois quilômetros à frente (e hoje vi outra – ou seria a mesma? – no mesmo local  =D), o que aponta que esses animais vivem por aqueles matos, quantos não devem ter morrido nesse incêndio? É foda ver essas coisas e não poder fazer nada…

Carlos e Cicloninho

Carlos e Cicloninho

Logo depois do incêndio, no ponto de ônibus antes do retorno da Reduc, passei e fiz um aceno de cabeça para um cara que estava ali, ao que ele me respondeu “Feliz natal”, e eu disse “Pra você também”. Ao passar dele percebi que ele estava de muletas, provavelmente estava esperando um ônibus que deixasse ele entrar pra pedir alguma ajuda, e como hoje em dia simpatia é algo raro (olá, cara-do-carro-carmin-que-me-xingou), voltei pra tirar uma foto e falar com o cara. O nome dele é Carlos, ele trabalha mas realmente estava ali pra pedir uma ajuda dentro do ônibus, e fiquei uma meia hora conversando com o figura – falamos do quanto as pessoas estão impessoais atualmente, de computador, de como dá pra fazer um mundo melhor se ganharmos na mega sena da virada, de justiça, de casa bagunçada (tamo junto, Carlos). Quando eu pedi pra tirar uma foto com ele e disse que era pra colocar no blog que eu estava fazendo sobre minhas pedaladas, ele pediu pra dizer que as pessoas julgam muito quem tem uma deficiência, seja física ou mental, mas que não conhecem quem realmente é aquela pessoa, não sabem quais as dificuldades que a pessoa tem que enfrentar todo dia.

Quando saí de Vila Valqueire, vi que o Wally (lembram dele, de outro post?) tinha me ligado, e decidi passar na casa dele, ficar só uns 5 minutos pra saber o motivo da ligação, falar uma pouca coisa e vir pra casa, pois mesmo não sendo o Lula Molusco eu tenho que terminar meus afazeres. Quando entrei na rua que ele mora, ele estava na porta da casa da tia dele, com sua mãe, seu pai, outras pessoas da família, incluindo o Marcelo. Os 5 minutos foram apenas uma ilusão, devo ter ficado lá conversando com o Wally e com o Marcelo por meia hora, quando finalmente tomei coragem de interromper uma boa conversa para vir pra casa.

Espero que esse post ajude as pessoas a entender duas idéias: 1 – Ninguém deve te dizer que você não pode fazer alguma coisa, principalmente você – e isso não é lema pra impressionar não, é meta de buscar se conhecer e saber diferenciar quando você realmente não é capaz de algo e quando a coisa é apenas difícil. 2 – O caminho é parte da viagem, principalmente de bicicleta; se não estão com hora marcada, esqueçam a idéia de ir do ponto A ao ponto B, esqueçam as linhas retas, pensem em múltiplas possibilidades, pensem que a menor distância entre dois pontos é aquela que é mais agradável de percorrer.

– Cicloninho

Primeiro teste com a barraca

 Na noite de sábado, depois de termos feito nosso primeiro treino de pedalada, Cicloninha e eu decidimos testar a nossa barraca, que até então não havia nem sido aberta. Já havíamos visto alguns dias antes na casa dela o vídeo de instrução de montagem que a fabricante disponibiliza, mas decidimos ver novamente, para ter certeza de que não iríamos fazer nenhuma besteira.  Visto o vídeo, partimos para a brincadeira de criança #ryca&mimada – afinal, se para chamar alguém de ric@ e mimad@ dizemos “essx aí soltava pipa no ventilador”, o mesmo deve valer para acampar no quintal de casa  XD

  Tiramos tudo da bolsa da barraca, conferimos, escolhemos o melhor lugar para a montagem e começamos. Primeiro, esticar o quarto (a parte da barraca onde as pessoinhas ficam), colocar as varas por cima em X e amarrar frouxamente a cordinha que vem no topo do quarto no cruzamento das varetas – percebemos que a importância desse “frouxamente” é dar espaço entre o quarto e o sobreteto, aumentando assim a eficiência contra chuvas e diminuindo a condensação, por conta do maior espaço para circulação de ar. Depois, prender as varas nos pinos das argolas, formando dois arcos, e prender os ganchos de sustentação do quarto também nas varas; depois disso feito, como a nossa barraca é autoportante, poderíamos tirar os espeques (na verdade nem precisaríamos tê-los colocado, mas percebemos que pode auxiliar a montagem em dias muito chuvosos) e colocá-la em outro local. Então esticamos o sobreteto por cima de tudo, amarrando também no cruzamento das varas, dessa vez não tão frouxamente; optamos por não colocar as “cordinhas laterais”, pois não estava ventando nada naquela noite. Demos mais umas esticadas aqui e ali, abrimos todas as janelas de ventilação e eu fui logo entrando na barraca, pois queria tirar uma dúvida (muito de iniciante sem-noção mesmo) que estava nos corroendo: havia necessidade do isolante térmico, saco de dormir, colchão ou qualquer coisa assim, já tendo a barraca? Ao dar a primeira deitada ficou óbvio para mim que SIM, é necessário ter alguma superfície macia para deitar em cima, pois o fundo da barraca é de material impermeável, mas não tem densidade, então você sente o chão todo, com todas as pedrinhas, raízes (coisas que devemser evitadas para não furar o fundo, vale ressaltar), buracos e morrinhos. Pegamos então dois edredons para colocar no fundo, travesseiros e uma garrafa de água para passar a noite; Cicloninha acabou rejeitando o edredon, preferiu ficar em contato com o chão para ficar mais fresquinha. Passamos um calor chato dentro da barraca, pois ficamos com a porta fechada por conta dos mosquitos (por insistência minha) – mesmo a barraca que escolhemos (Super Esquilo 2) sendo elogiada pela ventilação, em noites quentes e sem vento a coisa pode ser complicada. A Cicloninha sugeriu que arrumassemos um daqueles ventiladoreszinhos de pilha, ao menos para fazer uma pressão interna e o ar dar uma circulada – talvez a gente teste isso ainda.

O que aprendemos nisso, de forma resumida foi que:

1 – Montar e desmontar a barraca é algo relativamente simples;

2 – É necessário alguma coisa para deitar em cima, direto no chão não é legal

3 – Se não tem previsão de chuva, é bom procurar um local bem ventilado para instalar a barraca

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O interior da nossa barraca

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A nossa barraca

– Cicloninho  =D

Enfim o primeiro treino…!

parte complicada

Trecho complicado

Cicloninho precisava de umas peças para bicicleta, como algumas dessas peças ele não achava por aqui, decidiu ver se teria nas lojas no centro da nossa cidade, que fica um pouco longe daqui. Transformamos essa necessidade em uma oportunidade: fomos pesquisar preços… pedalando no sol de meio dia por uns 40 km. Antes mesmo de começar a pedalada, eu já sentia meu corpo cansado, por não ter dormido muito bem à noite e pelo calor. Quando cicloninho ligou propondo o treino, decidi aceitar pois se eu conseguisse “sobreviver” ao treino, os cento e poucos quilômetros que me esperam pra viagem estariam mais pertos de serem “conquistados”. A minha grande preocupação com o trajeto que iríamos fazer, era passar pelas agulhas. Quase 80% do caminho que percorreríamos era BR, com duas pistas centrais e duas auxiliares, para fugir dos pontos de ônibus (essa BR tem muitos, devido a quantidade de bairros em seu entorno) decidimos pegar a pista central, que tem muitas agulhas (pelo mesmo motivo que a pista auxiliar tem muitos pontos de ônibus). Nesse treino, Cicloninho funcionou como um Bike Anjo, olhamos no google maps todas as agulhas que iríamos ter que passar e conversamos um pouco sobre o que fazer em cada uma delas (cada uma tinha uma especificidade, agulha de saída, agulha de entrada, antes do ponto de ônibus, depois, subida ou descida de viaduto…).  Quando foi chegando perto da primeira, combinamos dele ir na frente para sinalizar para os carros o que iríamos fazer e eu seguiria exatamente atrás… Apesar de muita tensão, conseguimos passar por ela sem problemas. Em outra, mais para frente, quase caio naqueles sinalizadores no chão (por conta da tensão nos braços acabo deixando o guidon muito rígido, com pouca flexibilidade). Perto dessa agulha passou um carro buzinando muito, era um judeu ortodoxo (ele tinha uma barba muito grande e tinha a estrela de Davi adesivada no carro) dirigindo com um largo sorriso olhando pra gente e fazendo joinha. Outra “sensação” nesse percurso de ida foi um policial reclamando com a gente por estamos no “meio da pista”.  Como vocês podem ver na foto, existia uma entrada para um retorno, em seguida um ponto de ônibus e logo depois de ponto de ônibus, a saída do retorno, tivemos então que nos manter à esquerda na faixa da direita por uma extensão razoavelmente grande. Foi nesse momento que o policial que estava em uma viatura no ponto de ônibus, “sugeriu” que transitássemos pelo acostamento. Tivemos que parar uma ou duas vezes para colocar a corrente da minha bike no lugar, pois quando trocava de marcha, à vezes a corrente “pulava” demais. E paramos algumas vezes também para beber água ( ainda não consigo fazer isso sem parar a bicicleta =/ ) No meio do caminho, vendo meu cansaço, Cicloninho sugeriu que eu  o esperasse em algum ponto enquanto ele iria até o final ver o lance da bicicleta. No fim das contas, consegui chegar no nosso destino, demoramos mais ou menos 1 hora e meia.

Açaí para repor as energias

Açaí para repor as energias

Primeira coisa depois da chegada: Tomar açaí de 500ml. o/ Na ida para a loja-que-sabemos-que-o-açaí-é-bom, encontramos o Vinny, que nos fez campanhia e nos acompanhou no açaí. A tensão da pedalada fez com que meus braços estivessem doendo mais do que minhas pernas. A volta estava sendo “temerosamente” esperada por mim, pois além do que já tínhamos pedalado, ficamos andando a pé procurando as lojas de bicicleta. Depois de comprarmos o que precisávamos, fizemos um lanche e fomos buscar  nossas bicicletas que haviam ficado no estacionamento de um shopping (não havia bicicletário, prendemos em uma grade) para depois irmos embora. A volta estava sendo muito mais tranquila, eram 17h e o sol já estava bem ameno, além de estarmos encontrando menos agulhas. Mas apareceram situações que não me cansaram, mas estressaram/irritaram.

Ponte sem acostamento

Ponte sem acostamento

A primeira delas foi um trecho da BR bem complicado de passar, era uma ponte íngreme sem acostamento nenhum. Tivemos que passar andando, o que não era menos perigoso, pois a mureta de proteção era muito baixinha, havia o risco de caírmos (acho). Mais a frente por conta de alguns pólos comerciais, haviam muitos carros parados no acostamento, isso me incomodou bastante. Pouco antes de chegarmos em um trecho que era a confluência de várias coisas (entrada, saída, retorno, ponto de ônibus, viaduto) vimos um taxista fazendo uma grande merda, ele não trocou de faixa na hora que devia e acabou atrapalhando outros motoristas. Um motorista parou para bater palmas (literalmente) para ele e acabou atrapalhando outros motoristas. Nesse momento fiquei muito tensa pois veio na minha cabeça que não basta a gente tentar fazer ideal/certo/respeitar algumas sinalizações, a gente depende também do bom senso das outras pessoas. Quando chegou no trecho com as confluências, acabei me distanciando muito do Cicloninho, acabei perdendo uma “deixa” e me apavorei. Comecei a ouvir um carro buzinando, me desesperei mais ainda, mas Cicloninho me indicou que o carro tinha diminuido para eu passar.  Foi um treino bom, posso dizer que tirei 4 aprendizados dessa experiência: 1- Pedalar com ou sem sol faz muita diferença, 2- Os carros buzinam por vários motivos, é preciso estar atento para perceber o que significou, 3- A companhia de uma pessoa com certa experiência em pedaladas assim faz muita diferença, 4- Beba água, sem necessariamente sentir sede. Uma coisa com certeza o Cicloninho tirou como aprendizado: é preciso passar protetor solar! XD

Costas castigadas pelo sol do Cicloninho

Costas castigadas pelo sol do Cicloninho

 

 

 

 

 

 

– Cicloninha

O primeiro treino foi frustrado

Anteontem a Cicloninha conseguiu pegar a bicicleta dela do conserto; infelizmente, isso só provou mais uma vez que nós temos que saber consertar as nossas bicicletas, principalmente porque a mecânica de bikes não é algo muito complicado – o básico dá pra fazer com qualquer conjunto simples de ferramentas, em lojas de bicicleta até vendem canivetes com um jogo de chaves para a bike. A marcha não foi satisfatoriamente regulada (o câmbio dianteiro não está levando para a coroa menor, e ao passar para a coroa maior a corrente está saindo – sabemos como resolver isso, mas quando deixamos a bicicleta para regular, no mínimo ela tem que voltar regulada), e como tivemos que tirar o pneu dianteiro (vocês saberão o motivo), ao recolocá-lo percebemos que o freio dianteiro também não está devidamente ajustado. Realmente tenho saudades da época que moramos no Rio Comprido e eu levava a bike no Chico, pagava uns R$30,00 e ela voltava toda reguladinha, redondinha…

Combinamos, então, de fazer um treino, pois o dia da viagem está chegando e tanto ela quanto eu temos que nos preparar, fazer algumas pedaladas mais extensas que as do dia-a-dia e com mais ritmo, tentar manter cadência, encarar estradas, fazer treino com peso na bicicleta (eu só descobri como faz uma diferença brutal ter alforges com bagagem na bicicleta quando efetivamente usei), essas coisas. A gente pensou em ir até o Caxias Shopping e voltar, pois seria uma boa pedalada (uns 36km ida-e-volta) e não exigiria maiores preparos do que poderíamos fazer em relação ao tempo de que dispunhamos (já havíamos perdido alguma parte do dia esperando a bicicleta dela ficar pronta); viemos aqui em casa, coloquei a bermuda de ciclista, capacete, peguei as ferramentas, bomba e câmara reserva, e fomos para a casa dela, para ela pegar o capacete e colocar um tênis. Mas, ao chegar na rua onde ela mora, o pneu dianteiro dela furou…

Empurramos até a casa dela, e então começamos o primeiro remendo da vida dela. Ela encostou a bicicleta, soltou a roda dianteira, tentou tirar sem soltar o freio e se enrolou, esvaziou o pneu, pegou as espátulas, tirou um lado do pneu, tirou a câmara de ar, encheu, achou o furo, lixou, aplicou cola, cortou um pedaço do remendo, esperou a cola secar, colou o remendo, ficamos na dúvida se tinha colado no lugar certo, encheu, viu que tinha colocado certo, colocou a câmara de volta no pneu, montou a roda. Quando finalmente colocou a roda na bicicleta, ainda tínhamos esperança de conseguir fazer um treino, talvez uma pedalada menor; mas ao colocar a roda, vimos que o freio dianteiro estava pegando no pneu, e partimos para tentar solucionar isso. Solta sapata, posiciona sapata, aperta o freio, mede, aperta sapata, vê que não adiantou, solta sapata, aperta sapata, nada ainda, regula parafuso, quase lá, recebe ligação importante, tem que sair logo, deixa o freio solto pois vai pertinho.

Primeiro remendo da cicloninha

Primeiro remendo da cicloninha

Bom, nessa segunda maratona de manutenção (a primeira foi antes dela levar a bicicleta no mecânico) esgotou-se nosso tempo e possibilidade de fazer o treino… A necessidade de trabalhar e outros probleminhas impediram de fazer esse treino ontem, mas hoje finalmente conseguimos fazer nosso primeiro treino! Ainda não escrevemos o relato pois chegamos cansad@s e ainda vamos fazer o primeiro teste com a barraca, mas devemos escrever amanhã e tentar postar aqui no blog.

– Cicloninho