O primeiro furo rola antes da viagem começar…

Esse pode não ser um post sobre bicicletas, jovens incautxs – então estejam avisadxs!

Final de ano chegando, os planos para uma viagem de bicicleta, pequena que seja, começam a aparecer; por mais que Cicloninha e eu não estejamos “em sintonia”, viajar juntxs de bicicleta é um algo que queremos compartilhar pra sempre, então os planos começam a amadurecer em dupla. O problema sempre presente são as férias da Cicloninha: trabalha em dois locais diferentes, com calendários de férias diferentes, e isso sempre deixa quase nada de tempo efetivamente livre pra pedalar – esse ano, pra piorar, o pessoal de um dos trabalhos dela esqueceu que férias é um direito. Assim, vimos que o melhor a ser feito era pedalar no final-de-ano, e traçamos um plano que parecia perfeito: pedalar na Região dos Lagos. Esse destino tem a seu favor vistas lindas, praias, estradas bem conservadas, proximidade e altimetria amigavéis mas, principalmente, eu conheço algumas pessoas que moram e/ou tem casa de veraneio por lá. Começa a correria de tentar contatos, e todos vão sendo um balde de água fria, cada nova notícia de que alguém não vai estar em casa torna a viagem mais distante; e o pior, gente que nem quebra o galho de dar alguma resposta – saudade da época do telefone…

Ontem (sexta-feira, 19/12/2014) eu iria sair de casa (Nova Holanda – Maré) depois das 23:00, para poder pegar um ônibus pra casa de mainha (Santa Cruz da Serra – Duque de Caxias) vazio, visto que além da bolsa pesadíssima eu teria que trazer a roda da bicicleta, pois estava usando a da bike de viagem na bike fixa. Mas o estresses e cansaços do dia-a-dia fazem as pessoas discutirem, e não sei exatamente o que faz as pessoas serem injustas, e no meio de um clima chato resolvi não esperar ônibus nada e vir de bike – coloquei a roda no lugar, prendi a bolsa no bagageiro e coloquei o pedal na estrada. Foi a primeira vez que pedalei a Av. Brasil e a Washington Luís na fixa sem “freios manuais”, apenas contando com a desaceleração das pernas, e não tive nenhum problema nesse sentido; estava uma noite agradável para pedalar, com promessa de chuva, e fui pedalando e me perdendo em reflexões.

Mas, como Murphy olha por mim, um ou dois quilômetros depois do Carrefour da Washington Luís senti que o pneu traseiro havia furado, o que me fez parar a bicicleta e esbravejar ao mesmo tempo; ao menos foi em um trecho de acostamento largo e com uma proteção na pista que me permitiu ficar “meio-sentando”, apoiando na proteção. A primeira dúvida foi entre trocar a câmara de ar (procedimento mais indicado) ou fazer um remendo (procedimento mais rápido); como a roda de trás da minha fixa da um trabalho para alinhar e esticar a corrente, preferi fazer o remendo. Ao procurar pelo objeto perfurante por fora mesmo, achei um pedaço do que acho ser metal enferrujado, mas que não era absolutamente pontudo – Murphy desejou me mostrar algo, e a ferramenta que ele achou foi aquilo ali. Tirei o pneu (com a roda ainda no lugar), procurei pelo furo, achei, abri o kit de remendo para pegar a lixa e… cadê a lixa? Procurei me acalmar, lixei a área do furo no asfalto mesmo, limpei na minha camisa, passei a cola e coloquei o remendo. Enquanto esperava secar, não sei exatamente em que ordem, mas fui lembrando das duas últimas aulas do curso de “Fotografia e Vídeo Experimental”, que foram “saídas a campo”, em uma fizemos imagens da Linha Vermelha e na outra fizemos imagens da Av. Brasil, ambas à noite, e disso surgem aquelas fotos de longa exposição que acho muito interessantes, e nisso fui percebendo que eu estava na Washington Luís, à noite, e com a câmera de mainha na bolsa; foi aí que percebi o plano de Murphy para mim: nas últimas semanas eu tinha começado a pensar na possibilidade de buscar trabalhar com edição de vídeo e fotografia, na última aula conversei sobre isso com o Rafael, ontem, enquanto arrumava a casa, passei o dia ouvindo podcasts sobre fotografia, e no banho decidi que em 2015 eu vou começar a buscar isso sim, vou tentar novamente inscrição na ESPOCC, procurar saber de cursos, tentar comprar a minha câmera, iniciar um portfólio. Daí me veio um frase na cabeça, “transformar os problemas em oportunidades”, e entendi que eu deveria embarcar no esquema de Murphy e tirar umas fotos ali. Montei a roda novamente, enchi o pneu, posicionei a bicicleta, tirei a câmera da bolsa (o que deu certo trabalho), deitei no chão, configurei a câmera (fui de foco automático, sou fraco), busquei um enquadramento interessante e comecei os cliques de 30 segundos, mais tantos outros para a câmera gravar a informação no cartão. Depois de algumas fotos, me dei por satisfeito, guardei a câmera e fui seguir pedalando, quando percebo o que? Sim, o pneu traseiro novamente arriado, o que provavelmente significa que o remendo estava vazando – meus últimos remendos nunca tem dado certo, e não sei o que Murphy pretende com isso. Tentei não me irritar (e deu certo, vejam só vocês), tirei a bolsa da bicicleta, peguei a câmera, virei a bicicleta, e fui retirar a roda para trocar a câmara de ar. Nisso, peguei o tripé (falhei com meu lado Experimental, Cult e Pseudo-Intelectual, reconheço), configurei, enquadrei, e me revezava entre tirar uma foto de longa exposição e dar um trampo na roda. Devo ter ficado mais ou menos uma hora nisso tudo, mas consegui duas coisas, no mínimo, que considero importantíssima: consegui buscar uma oportunidade para construir felicidade mesmo num momento ruim, e efetivamente aquilo foi o melhor momento do meu dia, quiça da semana; pela primeira vez me senti fotógrafo, me relacionando com a fotografia e curtindo aprisionar momentos, sem esquecer de vivê-los (obrigada, Honesto e Gaguinho).

Agora, sentado no chão e escrevendo isso, fui mexendo nas coisas “achei” três lições de Murphy: eu havia guardado o objeto que furou o pneu dentro do tubo de remendo, mas ele não esta mais lá, deve ter ficado na estrada – o importante não é guardar a ferramenta, mas aprender o processo; ao abrir o tubo de remendos em local com iluminação decente, achei duas lixas no fundo dele – Murphy escreve certo por linhas que vemos fora de enquadramento; testei a câmara que remendei, e o vazamento era em outro remendo mais antigo – na estrada troque a câmara, remende em local calmo e bem iluminado, de preferência pague por um remendo quente, e ganhe mais tempo para se tornar um fotógrafo.

Remendo

Remendo/ferramenta de Murphy

Fixa em Longa Exposição na Washington Luís

Bike, depois de tratada no GIMP

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2 comentários em “O primeiro furo rola antes da viagem começar…

  1. Eu ia dizer “que bom que tinha uma câmera “, mas acho que é melhor dizer “que bom que tiveram as aulas do Rafael”.
    Ao menos você usou a bicicleta para o pneu furar, e quando você chega em casa e o pneu tá arriado e você nem sabe porquê? 😛

    • Olá,

      Acho que o melhor seria não ter perdido a sensacional oportunidade de usar o trocadilho “que bom que tinha uma câmXra”.
      Talvez você não saiba o porque – mas acredito que Murphy sabe, e você deveria tentar aprender com ele.

      =]

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