Voltando de Aldeia Velha

Ficamos 3 dias em Aldeia Velha, mesmo tendo que pensar/planejar a volta desde o primeiro dia, aproveitamos bastante o lugar. Vejam abaixo um pouco de que teríamos que deixar para trás:

Ducha natural.

Ducha natural.

Manga colhida no pé

Manga colhida no pé

Rio

Rio

Já na ida, com todas as furações de pneu, temíamos um pouco a volta. Havíamos gastado mais dinheiro do que esperávamos, assim voltar gastando o mínimo possível foi (tinha que ser) o objetivo da pedalada da volta. Depois, é claro, do objetivo de garantir que a viagem não tivesse muitos estresses. Acreditem, remendar a câmara de ar muitas vezes seguidas, não é muito legal.

As opções mais viáveis que víamos pela frente eram: 1- Ir até Casemiro de Abreu, tentar comprar câmaras de ar novas e comprar passagens para voltarmos de ônibus (as câmaras de ar seriam necessárias pois mesmo pegando ônibus teríamos que pedalar no mínimo uns 40 km ainda para chegar em casa) ; 2- Ir até Casemiro de Abreu, tentar comprar câmaras de ar novas e voltar o caminho todo pedalando. Não tínhamos noção do valor da passagem de õnibus e resolvemos perguntar para um pessoa que estava no mesmo lugar que a gente. Ela nos informou que a passagem Casemiro-Rio custava uns 30 reais e que em Rio Bonito encontraríamos um ônibus que custava uns 10 reais. Com essa informação surgiu uma outra opção: 3- Pedalar até Rio Bonito e tentar pegar lá o ônibus para o Rio de Janeiro. Chegado o dia de ir embora ainda não sabíamos o que fazer para voltar. Perguntamos à outras pessoas que estavam lá e elas nos disseram que o valor da passagem Casemiro-Rio na verdade era 40 reais e que o ônibus que saía de Rio Bonito não possuía bagageiro (precisaríamos deles para colocar as bicicletas). Depois de muito pensar decidimos encarar o caminho todo indo dormindo pelo caminho quantas vezes fosse necessário e com as coisas para bicicleta que já tínhamos (sem comprar câmaras de ar novas). A ideia era sair de lá de noite e pedalar de madrugada para fugir do sol. Bem perto da hora de saírmos um dos responsáveis pelo lugar disse que considerava o trajeto Rio Bonito-Rio de Janeiro perigoso e propos que saíssemos na parte da manhã bem cedo ou então de lá de madrugada. Paramos para pensar novamente e decidmos sair às 19h, chegar em Rio Bonito por volta de 1h, dormir em frente a UPA 24h de Rio Bonito e pela manhã continuar a pedalada.

Fim de tarde na estrada que liga Aldeia Velha à BR 101.

Fim de tarde na estrada que liga Aldeia Velha à BR 101.

BR 101 de noite.

BR 101 de noite.

O clima de finalzinho de tarde estava muito agradável. E foi com o “calorzinho” do dia indo embora e com o “geladinho” da noite chegando que pedalamos os primeiros oito quilômetros. Chegamos na BR101 e estava começando a escurecer, dois caras em um carro perguntaram para onde estávamos indo e nos desejaram boa sorte. Rapidamente já estava muito escuro e, para quem não teve oportunidade de conhecer, este trecho da BR não tem nenhum tipo de iluminação. Imaginamos que isso deve acontecer por não existir pessoas morando ao longo da estrada (Só houve iluminação de postes quando passamos pela entrada de Silva Jardim; quando passamos pelo pedágio; próximo à postos de gasolina e lanchonetes de beira de estrada). Embora concordemos com a redução de gastos com energia elétrica, pensamos que as estradas poderiam ser iluminadas (com energia solar, por exemplo) por uma questão de segurança. Um caminhão passou pela gente com os faróis apagados e teve uma ponte que só vimos muito em cima, pois não havia sinalização adequada ou ela ficou “escondida” no escuro. Na bicicleta da Cicloninha havia um lanterna de led na frente que ajudava bastante, mas não ajudava o suficiente pois a cestinha “barrava” a luz produzida pela lanterna. Outros itens que foram importantes nesse momento foram os sinalizadores traseiros (além das fitas reflexivas do alforge e dos “olhos de gato”), o da Cicloninha ia no bagageiro e o da Cicloninho no capacete. Constatamos que conseguíamos ser vistos pelos carros quando paramos em um posto para calibrar os pneus. Lá, um caminhoneiro nos abordou e disse que de longe viu uma luzinha piscando e ficou intrigado tentando ver o que era aquilo e que até diminuíra a velocidade. Ele ainda aconselhou que não pedalássemos de madrugada devido às altas velocidades que carros e caminhões alcançam naquele horário. Para o Cicloninho este foi um dos melhores momentos/horarios para pedalar, ja Cicloninha ficou um pouco tensa com medo dos automoveis e de buracos no acostamento, mas ainda assim estava gostando de ter diminuído o tempo de pedalada no sol. Já perto de Rio Bonito, por causa da iluminação inexistente, adivinhem o que aconteceu com o Cicloninho… Pra quem pensou em “furou o pneu”, acertou. Na descida de um viaduto, Cicloninho não viu os sinalizadores de chão (colocados para acordar motoristas que por ventura dormissem ao volante e perdessem a direção). Como estava próximo de Rio Bonito, não nos preocupamos muito e começamos a empurrar as bicicletas. “A UPA fica logo depois desse Viaduto…” Fim do viaduto. Cadê a UPA? Como na ida entramos em Rio Bonito, perdemos um pouco da noção do quanto “economizamos” de BR. Ainda faltavam uns 3km para a UPA.

UPA bonitinha por fora, mas sem papel higiênico, toalhas de papel e sabonete no banheiro

UPA bonitinha por fora, mas sem papel higiênico, toalhas de papel e sabonete no banheiro

Chegando na UPA, eram quase meia noite, viramos algum tipo de atração, nos “instalamos” do lado de fora, mas as pessoas de dentro vinham para nos observar.Para o azar do Cicloninho, que não gosta de ser observado enquanto faz alguma coisa, um funcionário se acomodou em um banco próximo e ficou observando todo o processo de remendo da câmara de ar. Veio até nós uma mulher (esquecemos o nome dela) que estava com seus dois filhos, um deles estava com suspeita de dengue, dizendo que gostava muito de andar de bicicleta e logo estava contando de sua vida. Demos uma receita de bolo de chocolate vegan e ela nos deu conselhos amorosos (XD). Ficamos com vontade de pedir para dormir na casa dela, mas não tivemos coragem de falar.

Parada para almoço e descanso na BR 493

Parada para almoço e descanso na BR 493

Foi um pouco díficil dormir. Primeiro tentamos dormir nos bancos, mas não conseguíamos “achar posição”. Cochilava um pouco. Acordava. Cochilava mais um pouco. Sentava. Tentava dormir sentad@. Deitava novamente. Somente depois de colocarmos o etaflon no chão e deitarmos nele que conseguimos dormir. Vale lembrar que os bancos pareciam ser “anti-mendigos”, com assento inclinado ao invés de reto. Acordamos um pouco depois de 6h, tomamos “café da manhã” (banagoiabadas, “pit stop”, amendoim) e partimos. O dia estava nublado, perfeito para pedalar. Por volta de 08:30h, fizemos uma parada pois o pneu da bicicleta do Cicloninho furou, e tomamos um segundo café da manhã (um copo de leite de soja com amendoim). Quando estávamos na BR 493, trecho Manilha-Magé, o cansaço já batia em Cicloninha, e como o acostamento nessa parte é cheio de buracos, a pedalada ficava mais devagar e pesada. Tínhamos uma dúvida: não sabíamos se íamos para Magé ou se íamos direto para casa. Cicloninha queria tentar ir direto para casa, mas Cicloninho dizia que naquele ritmo iria ser complicado. Depois de uma parada para almoçar com a duração de mais ou menos 1h, resolvemos ir direto para casa. Chegamos em casa entre 16h e 17h.

Foram muito importantes para a realização dessa viagem as dicas do Ernesto, a ajuda de familiares que costuraram uma coisa ali e emprestaram alguma coisa aqui, a “moral” que os caras do Cicle Parque Paulista deram nas nossas bicicletas, além dos fóruns na internet, Pedal e Mochileiros.

Acidente na BR 101. Na volta vimos painel eletrônico indicando 117 acidentes nos nove primeiros dias de 2013.

Acidente na BR 101. Na volta vimos painel eletrônico indicando 117 acidentes nos nove primeiros dias de 2013.

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