Treino do Foreveraloninho e coisas pelo caminho

Ontem, véspera de natal (24/12/2012), tive mais uma desculpa para pedalar pela Avenida Brasil, mas desta vez no sentido contrário – Vila Valqueire (que, segundo a Bironca, fica a uma hora e meia do Rio de Janeiro – piadinha de família para dizer que é longe, #maseuri). Meu pai viria até a casa da minha tia para passar o natal, e eu precisava acertar uma coisa de trabalho com ele, além de querer ver minha irmã e meu irmão um pouquinho. Eu tive que fazer esse treino sozinho, pois a Cicloninha não quis ir… Como @s cariocas sabem, dia 24 estava um calor digno do Hell de Janeiro, o sol nos proporcionando quanta síntese de vitamina D fóssemos capazes de fazer, nenhuma nuvem no céu pra dar uma esperança; assim sendo, decidi esperar dar uma amenizada para sair, pois o sol está se pondo lá pras quase-oito. Fui me preparando aos poucos durante o dia, pois ainda tinha que resolver a coisa do pedal da minha bicicleta (tinha que trocar e o parafuso não saía nem a pau, soldou de ferrugem – ficaadica, sempre limpem a bike depois de uma chuva ou mesmo de uso constante, e coloquem uma gotinha de óleo em cada rosca que encontrarem), colocar o ciclocomputador no lugar (que deve estar com o cabo partido, pois ligou mas não marcou nada – é um saco contar com uma coisa e não tê-la), arrumar as coisas de trabalho que eu tinha que levar. Uma coisa estava me preocupando (e ainda está): desde a janta do dia anterior que eu não estava me sentindo bem, logo depois de jantar (nada anormal – lentilha, macarrão e proteína de soja) me senti empanzinado, e nem tinha comido muito; depois, quando fui beber água (sempre com um mínimo de uma hora após as refeições), senti uma dor no estômago, igual a quando bebemos água em jejum. Fiquei ontem sentindo essa sensação o dia todo, consegui comer muito pouco e toda vez que ia beber água sentia essa dor – o resultado foi uma má alimentação e pouca hidratação, nesse calor de nãotenhovontadedeviver. Mesmo com esse mal-estar decidi ir de bike, pois acho que ninguém deve poder nos dizer que não conseguimos fazer alguma coisa, principalmente nós mesm@s.

Saí de casa 19:23, pedalando um pouco mais devagar do que gostaria, por conta desse mal-estar mencionado. A Washington Luís estava tranquilíssima, o fluxo de carros estava mínimo, então segui sem problemas até a Av. Brasil. Ao entrar na Brasil, a mesma tranquilidade, as pessoas realmente ficam em suas casas para o natal. O sentido Zona Oeste da Av. Brasil, depois da Washington Luís, é um pouco pior, menos conservado, e isso sempre dificulta a pedalada, principalmente em uma speed, onde você sente qualquer pedrinha no chão – isso NÃO É exagero. Foi a primeira vez que fui de bike até a casa da minha tia sem entrar por Madureira, que era o caminho que sempre fiz, por ficar na cabeça que Vila Valqueire fica dentro de Madureira (afinal, sempre peguei o ônibus Petrópolis – Madureira para ir pra lá, então na minha cabeça de besta-espacial, ficou essa associação). Mas dessa vez fui pelo caminho que as pessoas fazem de carro, que é passar pela Brasil da entrada de Madureira e entrar mais à frente, acho que é a entrada para Deodoro, é ao lado do Corpo de Bombeiros – inclusive, aquele retorno em paralelepípedos complicou um pouco a minha vida.

Xópis fechado no natal

Isso é um absurdo contra o natal!

Reparando algumas coisas nesse trajeto acabei pensando, refletindo, e percebi que o verdadeiro espírito natalino está morrendo – a coisa de verdade, sem todas essas frescuras e mentiras que colocam em cima. Passando pela Washington Luís, fiquei impressionado ao ver um templo novo, grande, fechado – afinal, muitas pessoas chamam o dia 24 já de natal, então acho estranho um templo fechado logo nesse dia, onde as pessoas tem mais motivos do que no resto do ano para ir aos templos. Na Avenida Brasil, altura de Guadalupe, a mesma cena se repetiu, com um templo ainda maior – passei por um templo antes desse que também parecia fechado, mas esse era um pouco mais distante e não posso dizer com certeza. Como assim shopping centers fechados na véspera do natal?! Aonde essas pessoas estão com a cabeça?! E o direito das pessoas de viver o espírito natalino, de fazer suas compras de última hora, de sentir os prazeres e maravilhas que só o consumo puro e simples pode proporcionar? Não sou adivinho, mas tenho certeza que Papai Noel ficou muito #xatiado com essa situação – tsc, tsc, tsc…

Eu tinha pensado em ir e voltar na mesma noite, tanto pelas coisas que eu tenho que fazer (dou aula amanhã às 08:00 e ainda não terminei o planejamento, por exemplo) quanto pelo treino (que aí seriam os quase 39km de ida mais 39 de volta, totalizando uma pedalada de 78km, um treino bom), parar uma ou duas horas por lá e voltar. Mas o mal-estar persistente, as conversas com as pessoas e a Lívia e o Daniel (minha irmã de 7 anos e meu irmão de 3) acabaram me fazendo desistir – o Daniel com meu capacete estava hilário, e pela situação estar boa nem lembrei de tirar uma foto (“tentando apriosionar momentos eu esqueço de vivê-los”; isso é da Vivenciar, não é?). Passei a noite lá, e o sol de hoje não me deixou vir logo cedo – peguei no pedal 18:20. A volta foi bem tranquila também, mesmo que as pistas estivessem com mais movimentação. Como ainda estava com o mal-estar (tem gente dizendo que isso pode ser gastrite, preciso averiguar isso), embora incomodando menos do que na ida, pedalei num ritmo interessante (como o ciclo computador não estava funcionando não posso dizer a velocidade, mas eu estava pedalando a uma volta por segundo no “penúltimo pinhão”) mas sem pressa. O bom de pedalar sozinh@ é que você faz seu ritmo, decide seu trajeto, suas paradas; o ruim, principalmente para alguém vacinad@ com agulha de vitrola como eu, é que a cabeça fica funcionando e você não tem ninguém pra falar alguma coisa – e quando a gente está com algum problema na cabeça, tempo vago é tudo que esse problema quer pra dominar nossos pensamentos. Tirando um imbecil que colocou a cabeça pra fora e gritou “Malucoooo!!!” em uma agulha perto do Carrefour da Washington Luís, foi uma pedalada bem tranquila, mas queria falar de algumas situações do caminho, algumas que só pude viver por entender que de bicicleta, o caminho faz parte da viagem, não é simplesmente um empecilho como quando vamos de automóvel (e isso eu aprendi com o Honesto quando fomos para Rio das Ostras).

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Água fresca, mas de origem desconhecida

Umas das vezes em que estava voltando do trabalho, na ponte (acho que é sobre o rio Suruí) logo depois do Feirão das Malhas, vi um cara tomando banho com uma água aparentemente potável – digo isso pois a água daquele rio é podre, cheira a óleo, provavelmente consequência de muitas irresponsabilidades somadas e de uma refinaria de petróleo logo ali… Fiquei na cabeça que ou ali embaixo da ponte tinha uma fonte de água não-poluída-bizarramente ou o cara tinha levado a água até ali de balde, e eu queria dar uma conferida nisso. Quando passei ali com a Cicloninha, no nosso primeiro treino, decidi não parar; mas hoje eu parei e, confirmando minha hipótese, lá estava um cano jorrando água transparente (em contraste com a água cor de óleo queimado do rio) em abundância, junto com embalagens de sabonete, um vidro de perfume e uma barbeador usado (é, parece que o lugar é usado mesmo para tomar banho). Eu, que cresci tomando água da torneira, tratei de beber um pouco, pois ainda na Av. Brasil a água que eu tinha levado já estava quente, e a água que saia do cano não tinha nenhum gosto estranho; se eu morrer de algum verme bizarro, já sabem. Usei a água também pra jogar no corpo, pois ela estava bem fresca.

Mais na frente, um caminhão de bombeiros estava parado no acostamento, e logo vi que a parte de mato na beira da estrada, altura da Reduc, estava com um incêndio bem grande. Teve uma parte que eu passei por dentro da fumaça, e o dia escureceu! Eu sei que o tempo estava muito quente e seco, já tem uns dias que não chove e tudo o mais, mas não consigo tirar da cabeça que aquilo não foi causado só pelas condições climáticas. Só o fato de estar na área da Reduc já mostrava que pode ter algum vazamento de coisas inflamáveis por ali – se bobear aquele rio de que falei pega fogo com um fósforo. As pessoas tem a mentalidade de fazer queimadas para lidar com o mato de forma mais simples e barata, pois vivemos numa sociedade do “fodam-se as consequências pras outras pessoas e pro mundo” – isso me fez lembrar que vi uma pessoa colocando fogo no mato ao lado do Carrefour da Washington Luís quando estava indo e fiquei com uma vontade de voltar e falar algumas merdas com a pessoa, tentar apagar o fogo que estava começando, mas como hoje em dia qualquer coisa é motivo de morte, deixei passar. No dia do treino com a Cicloninha, vimos uma capivara enorme um ou dois quilômetros à frente (e hoje vi outra – ou seria a mesma? – no mesmo local  =D), o que aponta que esses animais vivem por aqueles matos, quantos não devem ter morrido nesse incêndio? É foda ver essas coisas e não poder fazer nada…

Carlos e Cicloninho

Carlos e Cicloninho

Logo depois do incêndio, no ponto de ônibus antes do retorno da Reduc, passei e fiz um aceno de cabeça para um cara que estava ali, ao que ele me respondeu “Feliz natal”, e eu disse “Pra você também”. Ao passar dele percebi que ele estava de muletas, provavelmente estava esperando um ônibus que deixasse ele entrar pra pedir alguma ajuda, e como hoje em dia simpatia é algo raro (olá, cara-do-carro-carmin-que-me-xingou), voltei pra tirar uma foto e falar com o cara. O nome dele é Carlos, ele trabalha mas realmente estava ali pra pedir uma ajuda dentro do ônibus, e fiquei uma meia hora conversando com o figura – falamos do quanto as pessoas estão impessoais atualmente, de computador, de como dá pra fazer um mundo melhor se ganharmos na mega sena da virada, de justiça, de casa bagunçada (tamo junto, Carlos). Quando eu pedi pra tirar uma foto com ele e disse que era pra colocar no blog que eu estava fazendo sobre minhas pedaladas, ele pediu pra dizer que as pessoas julgam muito quem tem uma deficiência, seja física ou mental, mas que não conhecem quem realmente é aquela pessoa, não sabem quais as dificuldades que a pessoa tem que enfrentar todo dia.

Quando saí de Vila Valqueire, vi que o Wally (lembram dele, de outro post?) tinha me ligado, e decidi passar na casa dele, ficar só uns 5 minutos pra saber o motivo da ligação, falar uma pouca coisa e vir pra casa, pois mesmo não sendo o Lula Molusco eu tenho que terminar meus afazeres. Quando entrei na rua que ele mora, ele estava na porta da casa da tia dele, com sua mãe, seu pai, outras pessoas da família, incluindo o Marcelo. Os 5 minutos foram apenas uma ilusão, devo ter ficado lá conversando com o Wally e com o Marcelo por meia hora, quando finalmente tomei coragem de interromper uma boa conversa para vir pra casa.

Espero que esse post ajude as pessoas a entender duas idéias: 1 – Ninguém deve te dizer que você não pode fazer alguma coisa, principalmente você – e isso não é lema pra impressionar não, é meta de buscar se conhecer e saber diferenciar quando você realmente não é capaz de algo e quando a coisa é apenas difícil. 2 – O caminho é parte da viagem, principalmente de bicicleta; se não estão com hora marcada, esqueçam a idéia de ir do ponto A ao ponto B, esqueçam as linhas retas, pensem em múltiplas possibilidades, pensem que a menor distância entre dois pontos é aquela que é mais agradável de percorrer.

– Cicloninho

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